
A Justiça atendeu ao pedido da defesa de Miguel Angelo Duarte, nesta quarta-feira (29), para que a Polícia Civil faça a reconstituição da morte de Layane Aparecida da Silva, de 19 anos. O principal objetivo da defesa é provar que o réu confesso não poderia ter agido sozinho na chácara em que a vítima foi encontrada morta, em de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba.
De acordo com o advogado José Valdeci de Paula, a única coisa que liga Miguel e Layane são as mensagens trocadas por celular e os depoimentos do jovem são divergentes às evidências encontradas na cena do crime. “O Miguel disse que não agrediu a Layane, mas a polícia encontrou marcas no rosto da vítima. Já sobre as vestes, ele diz que deixou sobre os joelhos e que até tentou deixar ela vestida, mas a vítima estava nua. O quebra-cabeça não está fechando e fiz o pedido para demonstrar que sozinho ele não praticou esses fatos”, descreveu.
Ao longo desta semana, a família de Miguel chegou a afirmar que o jovem poderia estar protegendo outra pessoa envolvida no crime e o advogado diz que também acredita nisso. “Ele insiste que agiu sozinho, mas a polícia não acredita nisso. Queremos que as lacunas em aberto sejam preenchidas”, concluiu.
Layane foi encontrada morta na manhã do último dia 20 de janeiro, em uma chácara localizada nas proximidades da Avenida Rui Barbosa.
Miguel foi identificado graças a mensagens encontradas no celular da mãe de Layane, Inês. Como a jovem estava com o celular quebrado, usou esse aparelho para trocar mensagens com Miguel. Ele acabou preso pela Polícia Civil algumas horas depois.
Acusação
Para a assistência de acusação, a reconstituição à pedido da defesa do acusado confesso é mais uma “manobra ardilosa”, no intuito de levantar uma cortina de fumaça no caso. “Tentando imputar a mais pessoas, a autoria de um crime selvagem perpetrado por um marginal sem escrúpulos. Mesmo que tenha participação de outros acusados nesse crime brutal, não há o que se falar em diminuir a culpa ou responsabilidade do acusado. Isso só mostra que a vítima em menor número, não teve qualquer chance de defesa”, disse o advogado Mark Stanley.
Interrogatório
No interrogatório à polícia, Miguel confessou ter matado Layane. Ele afirma que foi atacado pela vítima e que apenas teria tentado se defender. Com uma versão bastante rápida do ocorrido, Duarte diz que conhecia Layane há poucos dias e que a convidou para “beber” nas proximidades, já por volta da 1 da madrugada de domingo (19). “Se encontraram na ‘cancha de areia’ e foram para trás da paróquia próxima (…). Fizeram o uso de bebidas – vinho/cerveja e ainda usaram – cocaína e maconha. Que ficaram juntos até aproxi…umas três horas”, diz o relato escrito pela Polícia Civil.
Teria sido após isso, segundo a versão do jovem, que Layane teria entrado em ‘estado de alucinação’ e iniciado as agressões. “Acabou segurando Layane pelo pescoço – ‘chave de braço’ – com objetivo de conter as agressões e, de repente, ela desfaleceu. E, então, carregou Layane nas costas por alguns metros (em torno de 100) adentro da mata. (…) Já cansado, o interrogado arrastou Layane para um canto quando as vestes (calça legging) acabaram saindo e ela ficou apenas trajando a blusa branca e com outro blusa de cor azul”, segue o relato.
A Delegacia da Mulher de São José dos Pinhais segue investigando o caso.
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