Economia

Dono de fábrica em Almirante Tamandaré diz não conseguir linha de crédito e teme demissão em massa

A fábrica de revestimentos do empresário Carlos Eduardo Santos, que fica em Almirante Tamandaré, na região metropolitana de Curitiba, tem a contratação direta de 15 funcionários. Desde março a fábrica enfrenta crise econômica por conta do avanço mundial do novo coronavírus e, sem crédito para honrar com pagamentos, segundo o empresário, o receio é de uma demissão em massa. “Eu me sinto incompetente. Por mais que a culpa não seja minha, me sinto amarrado e isso é péssimo”, desabafou Carlos Eduardo, em entrevista na manhã desta terça-feira (14).

Segundo o dono da fábrica, o início da crise aconteceu em março quando a fábrica precisou ampliar o recebimento de clientes. “Vendo para grandes clientes com prazo de recebimento de 90 dias. Logo que surgiu a pandemia, esses pagamentos foram prorrogados para mais 90 dias. Passei a receber com 180 dias, ou seja, uma venda de março veio para julho. Além disso, essas grandes clientes deixaram de fazer novos pedidos, deixei de tirar pedidos por 75 dias. Como que você mantém uma empresa com 15 funcionários, uma estrutura média, sem pedidos, sem entrada de dinheiro?”, questionou ele.

Ao ter ciência de que haveria linha de crédito por meio do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), Carlos Eduardo passou a tentar empréstimo por meio da Caixa Econômica Federal (CEF), mas sem sucesso. “Maravilhosa essa história do Pronampe, vai salvar nossa empresa, mas isso se tornou algo para grego ver. Primeiro que é para MEI, e micro e pequenos, com faturamento de até R$ 360 mil. Mas depois disso será liberado para empresas com faturamento maior. No meu caso, é de quase R$ 800 mil. Perfeito. Mas, não pode ter nenhuma restrição. Como que a empresa passando por uma crise dessa não vai ter nenhuma restrição? Mas vamos lá, se é norma vamos correr atrás para sanar isso. Depois de uma correria, empresta, paga títulos, o banco diz: ‘olha, acabou o dinheiro’”, lamentou.

Antes da pandemia, Carlos Eduardo planejava ampliar a fábrica e dobrar o número de funcionários. “Tinha duas fábricas, dois barracões, agora apenas um porque tive que desativar o outro. Fiquei com a equipe e não quero mandar ninguém embora porque eu não acho justo isso. Minha fábrica já está instalada em um bairro mais vulnerável para que pudesse movimentar a economia daqui. É um mercadinho que vende mais, um cara que vende lanche, essas famílias todas moradoras da região”, analisou.

Diante de tudo, o dono da fábrica diz se sentir incompetente. “Eu me sinto incompetente como administrador porque não consigo resolver os problemas. Por mais que a culpa não seja minha, ou que não estejam nas minhas mãos, você se sente amarrado e isso é péssimo. Isso ocasionou atraso de salário, atraso de pagamento de conta, financiamentos. Mas, é uma sensação impotência”, finalizou.

Acorrentado

Também alegando dificuldade para não conseguir uma linha de crédito junto à Caixa Econômica Federal (CEF), o empresário Arlindo Magrão, dono do Bar o Torto, acorrentou-se em frente a uma agência em Curitiba, na tarde de ontem (13). O protesto acontece na entrada do banco na Av. Cândido de Abreu, no bairro Centro Cívico. Ele disse que, enquanto tiver saúde, ficará lá.

Banda B

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