
A Polícia Penal do Paraná (PPPR), em colaboração com a Igreja Evangélica Tempo das Águias, realizou uma cerimônia de “Batismo nas Águas” nesta segunda-feira (11), com a participação voluntária de 23 pessoas em cumprimento de pena (PPL) na Penitenciária Estadual do Paraná I (PEP I), situada no Complexo Penitenciário de Piraquara, na região metropolitana de Curitiba.
A PEP I oferece diversas atividades religiosas em parceria com diferentes organizações, acessíveis a todas as 706 PPL atualmente custodiadas na unidade. Desse total, cerca de 240 apenados, organizados em quatro galerias com cerca de 60 integrantes cada, têm acesso a trabalhos mais frequentes e específicos, segmentados conforme suas respectivas religiões. O batismo realizado hoje foi específico para custodiados alocados na 1ª galeria do bloco A, destinada a evangélicos.
A iniciativa faz parte de um conjunto de ações de assistência religiosa e de reintegração social, garantindo às PPL o direito a esse tipo de apoio como elemento fundamental durante o cumprimento de penas. Além do batismo, o evento incluiu apresentações teatrais realizadas pelos próprios custodiados, fortalecendo atividades voltadas à reflexão, espiritualidade e à reconstrução dos projetos de vida.
“A assistência religiosa é prevista pela Lei de Execução Penal e constitui um dos pilares do tratamento penal. Atualmente, a Polícia Penal está oferecendo esse suporte através de parcerias importantes com várias entidades religiosas. As atividades desenvolvidas por essas organizações tornam-se essenciais, pois observamos mudanças significativas nas PPL, especialmente em termos de comportamento, relacionamentos e disciplina”, afirmou Irecilse Drongek, coordenadora de Assistência Religiosa da PPPR.
O diretor da PEP I, João Paulo Schlemper, destacou o efeito da atividade no ambiente prisional e na transformação pessoal dos custodiados. “Esta cerimônia religiosa é decisiva para que os apenados realizem o ato do Batismo nas Águas, uma experiência que tem grande significado espiritual e pessoal para aqueles que decidiram participar. A religiosidade, muitas vezes, oferece aos custodiados uma crença em algo superior, trazendo esperança, reflexão e a possibilidade de mudança. A fé pode ser uma ferramenta de transformação pessoal, contribuindo para o processo de reintegração social e para o fortalecimento de valores positivos”, explicou. Ele ainda acrescentou que tais iniciativas são cruciais para o ambiente penal, promovendo disciplina e respeito, além de incentivar o abandono da criminalidade e possibilitar uma nova perspectiva sobre as escolhas e futuros dos apenados.
Jefferson Ferreira dos Santos, chefe de segurança da unidade, também ressaltou a importância das parcerias estabelecidas entre a Polícia Penal do Paraná e as instituições religiosas voluntárias, destacando os efeitos positivos dessas ações no dia a dia do sistema prisional. “Na PEP I, valorizamos e fortalecemos as colaborações com voluntários de igrejas, como o Templo das Águias, pois acreditamos que a fé serve como um potente agente transformador na vida das PPL. Essa atuação está gerando impactos significativos no ambiente carcerário, refletindo em comportamentos mais positivos, no fortalecimento das relações familiares, na mudança de mentalidade e na construção de novos projetos de vida. Assim, estamos transformando o espaço em um ambiente de paz, esperança, fé e incentivo à reintegração social”, enfatizou.
O pastor Sérgio Castro, da Igreja Evangélica Tempo das Águias, abordou o simbolismo espiritual do batismo e a relevância da presença religiosa nas unidades prisionais. “O batismo tem um significado profundo. Biblicamente, simboliza um sepultamento. Ao sair da água, a pessoa representa uma nova vida. Portanto, o ato de batizar é como renascer, abandonando a velha vida de ilusão e violência. Ao emergir, a pessoa é nova, com uma visão revigorada para cumprir seu propósito. O evangelho de Jesus oferece essa oportunidade de mudança. Assim, muitos dos apenados sairão regenerados, com novas formas de pensar e de tratar as pessoas, que é a essência do nosso trabalho”, explicou.
Os custodiados também comentaram sobre as atividades artísticas e religiosas que participaram. “Fazer teatro, coral e outras atividades artísticas dentro da prisão é muito gratificante. Estamos fazendo isso para Deus e isso não tem preço. Essa iniciativa é extremamente importante para nós”, revelou um dos apenados.
Outro custodiado compartilhou sua experiência de transformação através da assistência religiosa. “Acredito que isso é fundamental, especialmente para minha reintegração social. Quando entrei no sistema, seguia outra religião e, graças ao trabalho realizado aqui, conheci novas opções e mudei minha fé. Hoje me sinto renovado, sou batizado e não quero mais saber da criminalidade. O acesso ao pastoreio dentro das prisões é essencial”, relatou.
Fonte:: policiapenal.pr.gov.br




