
“Contrate Pessoas com Deficiência e descubra grandes talentos”. Este é o mote da nova campanha do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência, lançada nesta segunda-feira (8), no Salão Brasil da Prefeitura de Curitiba. A ideia é incentivar contratantes e possibilitar a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.
Para o prefeito de Curitiba, Rafael Greca, a inclusão é fundamental para o desenvolvimento das cidades modernas. “Eu fui adepto da inclusão já na minha primeira gestão, em 1993. Não pode haver separação entre as pessoas. O fato da cidade permitir o ir e vir nos elevadores dos ônibus, das estações-tubo, ter investido em igualdade de oportunidades para os deficientes multiplica essa ideia”, relatou.
Ele reforça que o Executivo municipal tem feito a sua parte na empregabilidade das pessoas com deficiência. “Ano passado, empregamos 2500 pessoas. Em 2019, queremos dobrar esse número, por isso essa campanha na mídia de rua, nos outdoor e nos equipamentos do mobiliário urbano”.
A coordenadora da Assessoria dos Direitos da Pessoa com Deficiência e vice-presidente do conselho, Denise Moraes, a Lei de Cotas evoluiu muito a situação de vagas de trabalho, mas o preconceito ainda é um empecilho. “Percebemos na área da empregabilidade uma grande dificuldade na contratação, pois a maioria dos empreendedores contratam apenas para cumprir a lei de cotas, pois sabem que podem ser autuados, mas eles não olham para o potencial da pessoa com deficiência”, explica Denise.
A Associação Brasileira de Normas Técnicas prevê algumas adequações no ambiente de trabalho como: pista tátil, rampa de acesso, portas mais largas, banheiros adaptados e sinais luminosos para deficientes auditivos. Segundo Denise, um ambiente acessível é mais funcional, não apenas aos funcionários, como também para visitantes e clientes.
“Acompanhamos empresas que fazem esse trabalho com eficiência e o ambiente fica mais acolhedor, muito mais acessível, pois o olhar fica mais próximo para esses problemas”, acrescentou.
Descubra talentos
Rafael Bonfim, analista de Desenvolvimento Organizacional do Grupo Marista, é um dos profissionais que ilustram a campanha. “O programa de inclusão é uma via de mão dupla. Ao mesmo tempo que a empresa precisa abrir suas portas para profissionais ocupem espaços de trabalho, a pessoa também tem que tentar, se candidatar para vagas que combinem com ela. A partir do momento que isso aconteça mais frequentemente, a inclusão passa a ser mais orgânica, e não se torna mais um processo muito difícil de ser encarado”, afirma Bonfim.
Para ele é importante que a pessoa com deficiência se coloque em evidência e contribua para derrubar uma das grandes barreiras da inclusão no mercado de trabalho, que é acreditar que não existe mão de obra qualificada entre as pessoas com deficiência. “Quanto mais às pessoas se candidatarem, maior será o fluxo de contratação”, diz.
Outros profissionais ilustraram a campanha como: Celma Gomes, surda, psicóloga que atende seus pacientes comunicando-se por meio da Língua Brasileira de Sinais (Libras); Andrey Santos de Macedo, autista, assistente administrativo; Noel Cândido da Silva, deficiência visual, assistente de Processos de Qualidade, e João Victor Faria, que tem deficiência intelectual e trabalha como repositor de hortifrúti.
De acordo com Denise Moraes, coordenadora da Assessoria dos Direitos da Pessoa com Deficiência, também é importante lembrar que não é só contratar pessoas com deficiência que torna uma empresa inclusiva, mas também, oferecer a elas igualdade de oportunidades em relação aos demais colaboradores.
Lei de Cotas
A Lei nº 8.213 de 24 de julho de 1991 determina um percentual mínimo de 2% de colaboradores PcD’s (pessoas com deficiência) em empresas com mais de cem funcionários, chegando a 5% naquelas que tem mais de mil.
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