
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Municipal acatou, na tarde desta terça-feira (2), o projeto que implementa a bilhetagem eletrônica e pode acabar com a profissão de cobrador em Curitiba. O parecer do líder do prefeito, Pier Petruzziello (PTB), recebeu cinco votos favoráveis e um com restrições, do vereador Alex Rato (PSD). O Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus é contra a proposta e a define como “Lei do Desemprego”.
De acordo com a Prefeitura de Curitiba, a proposta tem tripla finalidade: possibilitar o avanço tecnológico, aumentar a segurança de trabalhadores e passageiros com a retirada de dinheiro vivo de circulação e dar sustentabilidade financeira ao transporte público.
Segundo o vereador e vice-presidente Sindimoc, Rogério Campos (PSC), o projeto não foi votado na CCJ e só foi levado a frente por falta de prazo regimental. “Ele saiu da CCJ por ter estourado o prazo dentro da comissão, foi praticamente expulso. O projeto continua do jeito que está, tornando exclusiva a bilhetagem em Curitiba e para a gente é muito claro, ele acaba com o cobrador. Qual vereador vai querer carregar um caixão desses nas costas”, questionou.
Em março, o vereador Tico Kuzma (Pros) chegou a apresentar um substitutivo geral ao projeto da administração municipal. Nele, Kuzma sugeria que só houvesse substituição quando o cobrador se aposentar, pedir demissão, aderir a um plano de demissão voluntária ou aceitar exercer outra função empresa de ônibus. Justificando que seu propósito é “evitar demissões”, ele diz que sua emenda é uma alternativa para a transição entre o modelo atual, com cobradores, e o almejado pelo Executivo, com bilhetagem eletrônica.
A discussão agora segue para discussão nas comissões de Serviço Social e Economia Finanças para, se acatado, ser votado em plenário.
Rogério Campos disse em entrevista à Banda B que a expectativa é de que o projeto ainda seja rejeitado. “A quem interessa esse projeto? Ele interessa ao povo, à prefeitura? Não, ele interessa somente aos empresários do transporte coletivo”, concluiu.
Projeto
O projeto encaminhado à Câmara Municipal prevê a implantação da bilhetagem eletrônica em toda a cidade, assim como atualmente já acontece nos micro-ônibus, onde não há cobrador. O objetivo da Prefeitura de Curitiba é a alteração da lei municipal 10.133/2001, que regulamenta a exigência de cobradores nas estações-tubo, terminais de transporte e no interior dos ônibus.
Na justificativa, o prefeito Rafael Greca diz que a alteração é para “trazer maior agilidade ao transporte público”. Outro ponto citado são os constantes assaltos nos ônibus. “Os dados demonstram que os cobradores são alvo de roubos e violência, bem como o patrimônio público acaba sendo objeto de vandalismo e depredações”, diz a proposta, concluindo que a alteração reduziu em mais de 90% dos assaltos em coletivos.
Banda B










