
Familiares de crianças matriculadas no CMEI Professora Alice Montrezol Mattos, no Jardim Industrial, acompanharam uma apresentação especial na manhã desta sexta-feira (25). Os estudantes demonstraram, em Libras, parte do que vêm aprendendo durante o projeto de Língua Brasileira de Sinais desenvolvido na unidade.
O CMEI é a primeira unidade de educação infantil de Araucária a contar com um projeto de Libras voltado a todos os estudantes. A iniciativa busca ampliar o contato com a língua de sinais desde os primeiros anos de vida e estimular uma comunicação mais acessível dentro e fora do ambiente escolar. Outras escolas da rede municipal também desenvolvem projetos semelhantes.
Para familiares, a apresentação foi marcada pela emoção. Dalva Souza Martins, avó de Enzo, de 5 anos, comemorou a evolução do neto. Ela contou que possui uma prima surda e que, durante muito tempo, a comunicação entre elas acontecia por meio de gestos improvisados.
“Ele já chega falando em Libras e a gente não entende nada”, brincou a avó, que também destacou o orgulho de acompanhar o aprendizado da criança.
As aulas de Libras são realizadas uma vez por semana no CMEI e já começam a fazer parte da rotina dos estudantes. Segundo a professora Raquel Lepienski, responsável pelo projeto, o contato com a língua de sinais desde a infância contribui para ampliar as possibilidades de comunicação e compreensão da comunidade surda.
“Muitas vezes, em vez de perguntar, eles já tentam fazer o sinal”, relatou a professora ao falar sobre a maneira como as crianças passaram a incorporar os conhecimentos ao cotidiano.
O projeto não se limita aos estudantes. Profissionais que atuam na unidade, incluindo a equipe da cozinha, também recebem orientações sobre Libras, ampliando a possibilidade de comunicação entre diferentes integrantes da comunidade escolar.
A Língua Brasileira de Sinais é reconhecida oficialmente como meio legal de comunicação e expressão no Brasil pela Lei nº 10.436/2002.
O projeto também tem ultrapassado os limites da sala de aula. Fernanda Kelly da Silva Tavares, mãe do único estudante surdo atualmente matriculado no CMEI, passou a aprender Libras com o objetivo de melhorar a comunicação com o filho.
“Não é muito fácil, mas a gente vai aprendendo. Estou muito feliz”, contou.
A experiência mostra como o aprendizado da língua de sinais pode envolver não apenas a criança, mas também familiares e profissionais que fazem parte de sua rotina.
Araucária também conta com o Centro Municipal de Atendimento Educacional Especializado – Surdez (CMAEE-S), estrutura vinculada à Secretaria Municipal de Educação que oferece suporte a estudantes com deficiência auditiva matriculados na rede regular de ensino.
Atualmente, o CMAEE-S acompanha 52 estudantes com algum tipo de deficiência auditiva, sendo seis estudantes surdos.
O atendimento envolve ações realizadas nas próprias unidades educacionais e também atividades no contraturno escolar. Entre as estratégias utilizadas está a adaptação de materiais e atividades, com recursos visuais que facilitam o processo de aprendizagem.
No caso dos estudantes surdos, a Libras ocupa papel central no processo de comunicação e aprendizagem, sendo considerada sua primeira língua, enquanto o português é trabalhado posteriormente.
A atuação conjunta entre o CMAEE-S e as unidades educacionais busca ampliar as condições de participação dos estudantes e fortalecer práticas inclusivas na rede municipal de ensino.









