Polícia

Justiça determina bloqueio de milhões ligados ao Comando Vermelho por esquema no mercado de gás

Uma operação de grande envergadura conduzida pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), resultou na denúncia formal de 12 indivíduos apontados como integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV). O grupo é acusado de monopolizar a distribuição e a comercialização de botijões de gás de cozinha em diversas comunidades situadas na região metropolitana do Rio de Janeiro, valendo-se de graves ameaças, intimidações e extorsões contra comerciantes locais e moradores da região.

Em conjunto com as ordens de prisão preventiva e os mandados de busca e apreensão cumpridos pelas autoridades policiais, o Ministério Público conseguiu junto à 2ª Vara Criminal Especializada da Capital uma ordem judicial de indisponibilidade de bens. A medida determinou o bloqueio financeiro de mais de R$ 327 milhões, valor que estaria diretamente vinculado aos investigados e a um conjunto de empresas utilizadas como fachada para movimentar os recursos obtidos de maneira ilícita através do esquema criminoso.

As investigações detalhadas revelaram que a organização operava com alto grau de divisão de tarefas, contando com uma estrutura hierarquizada, funções bem definidas e canais permanentes de comunicação entre os operadores do esquema para garantir o controle rigoroso da atividade econômica nas áreas dominadas.

A execução dos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão ficou a cargo de equipes especializadas da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD). Entre os alvos da denúncia formulada pelo Ministério Público está Edgar Alves de Andrade, amplamente conhecido pelo apelido de “Doca”, apontado pelas autoridades policiais como uma das principais lideranças da facção Comando Vermelho ainda em liberdade, exercendo forte influência e comando sobre as ações criminosas na região do Complexo do Alemão.

O inquérito policial que deu origem à operação foi deflagrado após a coragem de um empresário do setor. O proprietário de um depósito de gás localizado na comunidade Vai Quem Quer, situada no município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, procurou as autoridades policiais para relatar que vinha sofrendo graves ameaças de morte e risco iminente de sequestro caso não acatasse as ordens impostas pelo crime organizado.

Conforme apurado pelas autoridades ao longo do processo de investigação, a organização criminosa impunha regras rígidas aos comerciantes locais. Os revendedores eram obrigados a adquirir os botijões de gás exclusivamente de uma distribuidora determinada pela facção, ou, alternativamente, eram compelidos a efetuar o pagamento de taxas extorsivas mensais aos traficantes locais para garantir o direito de manter as portas abertas e continuar exercendo suas atividades comerciais.

O esquema ilícito estruturado pela facção operou de forma sistemática entre os anos de 2024 e 2025, afetando diretamente a rotina de moradores e comerciantes em comunidades de Duque de Caxias, São Gonçalo, Niterói e em bairros da própria capital fluminense. Os consumidores finais que residem nessas localidades acabavam sendo severamente penalizados, pois eram forçados a comprar o produto essencial exclusivamente nos pontos de venda controlados ou autorizados pelo tráfico, ficando à mercê de preços artificialmente majorados pela falta de livre concorrência no mercado.

De acordo com os promotores responsáveis pelo caso, o conjunto de ameaças, coerções e violência psicológica empregado pelos criminosos tinha como finalidade principal eliminar qualquer tipo de concorrência comercial na região, impor condições de mercado totalmente favoráveis aos interesses da facção e assegurar o fluxo contínuo de repasses financeiros periódicos para os cofres da organização criminosa.

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