
A Regional Administrativa da Polícia Penal do Paraná (PPPR) em Guarapuava realizou, nos dias 15 e 16 de outubro, uma série de palestras e debates focados na identificação do papel do homem na sociedade e na desconstrução da violência de gênero. Essas atividades estão incluídas no Programa Mulher Segura, uma ação da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), desenvolvida pelas forças de segurança do Paraná.
Destinadas ao público masculino que atua na coordenação regional e nas unidades penais, as atividades de conscientização continuarão nos meses de junho e julho de 2024, e abrangerão as Cadeias Públicas de Pitanga, Guarapuava, Laranjeiras do Sul, Prudentópolis, Manoel Ribas e Pinhão. O programa visa ações que vão desde a gestão institucional até o acompanhamento das pessoas privadas de liberdade (PPL) que estão sob monitoração eletrônica, consolidando um esforço conjunto de reabilitação e reintegração social.
Na primeira palestra, realizada no dia 15, o foco foi nos monitorados que trabalham nas instalações da coordenação regional da PPPR. Os temas abordados incluíram conscientização, respeito e responsabilidade social, enfatizando que a reinserção na sociedade está intrinsecamente ligada ao reconhecimento dos direitos das mulheres e à erradicação da violência de gênero.
No dia seguinte, a palestra denominada “De Homem Para Homem” proporcionou um espaço para discussão entre servidores e gestores sobre várias questões, como o papel masculino na sociedade atual, a masculinidade tóxica, e a importância do envolvimento ativo no combate à violência doméstica e familiar. Esse espaço de diálogo se revela fundamental no contexto contemporâneo, onde preconceitos precisam ser confrontados e superados.
Renato Silvestri, coordenador em exercício da regional da PPPR em Guarapuava, ressaltou a relevância do evento. “Esta palestra é extremamente importante, pois aborda questões que fazem parte do nosso cotidiano. Muitos de nós, homens de meia-idade ou com mais experiência de vida, foram educados em um tempo em que as normas sociais eram bastante diferentes. Esse tipo de educação nos deixou com uma carga emocional densa e expectativas rígidas a serem seguidas para sermos validados como ‘homens de verdade’. Na sociedade atual, esses conceitos evoluíram, e a masculinidade, tal como a conhecíamos, não se aplica mais. Essa mudança provoca um peso emocional e demanda de nós uma contínua adaptação e alteração na forma de pensar. Por isso, eventos como esse são cruciais: eles ajudam o homem a se abrir sobre seus problemas e discutir temas previamente considerados tabus”, comentou Silvestri.
O policial penal Ricardo Cicero da Paz também compartilhou sua perspectiva sobre a importância da discussão. “Trazer essa temática para o contexto da segurança pública é fundamental para desconstruir o machismo estrutural. Durante a palestra, ficou evidente que, muitas vezes sem perceber, perpetuamos mitos e pressões sociais que nos acompanham desde a infância. Algumas brincadeiras, que à primeira vista podem parecer inofensivas, podem estar enraizadas em um machismo que ainda existe em nossa cultura. Esta foi uma oportunidade de despertar a consciência e perceber que existem caminhos para romper essas barreiras. É imprescindível que consigamos, em nosso ambiente, refletir sobre as mulheres que estão se destacando em várias funções. Cada mulher, seja uma colega, chefe ou esposa, conquistou seu espaço a partir de sua competência e, por isso, merece todo o respeito e reconhecimento”, afirmou.
O Programa Mulher Segura, criado pela Secretaria da Segurança Pública do Paraná, busca prevenir e combater a violência contra a mulher através de palestras, orientações e ações de conscientização. Essa iniciativa é vital para disseminar informações, promover mudanças de comportamento e reforçar que a construção de uma sociedade mais segura é uma responsabilidade compartilhada. Ao extender as palestras a todos os níveis hierárquicos, desde cargos de lideranças até indivíduos em monitoramento, a Polícia Penal de Guarapuava reafirma seu compromisso com essa causa imprescindível.
Fonte:: policiapenal.pr.gov.br




