Redação

Após eleições


Por Claudio Henrique de Castro

  1. Apesar do fim das coligações partidárias ocorrido em 2017, ainda tivemos vereadores
    eleitos com menos votos que candidatos que não entraram, a bizarrice do cálculo do
    quociente eleitoral continua;
  2. A chamada postura de Centro não existe, é uma denominação para acobertar a setores
    camaleões, para dizer que são moderados e coisa e tal;
  3. O Centrão cresceu como fermento no bolo da vovó, partidos do toma-lá-dá-cá
    abiscoitaram municípios importantes e, no geral, aumentaram sua poderosa influência;
  4. A Direita Radical encolheu, Bolsonaro contaminou seus aliados com a derrota;
  5. A Esquerda reduziu seus quadros em todo o Brasil, a esperança é São Paulo que poderá ser
    governada pelo PSOL;
  6. Deputados estaduais e federais irão acomodar seus interesses como os novos prefeitos e
    vereadores, com o tradicional repasse de verbas por apoios explícitos, o tradicional “para
    você sorrir, tem que me fazer sorrir primeiro”;
  7. Senadores olham impávidos do alto dos seus oito anos de mandato tudo que está
    acontecendo, salvo os que podem dançar em 2022, mas isto é detalhe;
  8. Prognóstico para 2022? Os Bolsonaros e o entorno sabem que o fim está próximo salvo um
    golpe de Estado que não está descartado pelo Palácio do Planalto;
  9. Saíram fortalecidas as bancadas BBBB, (Bala, Bíblia, Bola e Boi), prosseguem elegendo
    novos personagens com o “novo” discurso contra a corrupção, pela pena de morte, o agro
    é pop (risos), contra o aborto, contra as minorias e muito mais, do mesmo;
  10. Astrólogos do Planalto predizem que 2021 e 2022 serão dois anos de negação: da ciência,
    do sistema eleitoral e das urnas eletrônicas, da pandemia, das vacinas e da Economia;
  11. As estatísticas apontam que em 2035 o Brasil terá a maioria da população neopentecostal
    e daí…a política;
  12. O desemprego e as contradições de um discurso do estado mínimo que deixa o povo às
    feras ainda, não conseguiram convencer parte do eleitorado em não apoiar candidatos
    neoliberais que não estão nem aí para as injustiças sociais do Brasil, segue o baile;
  13. Se o eleitor é ignorante e não sabe votar, veremos o que os prefeitos que sempre
    prometem o mundo e os fundos farão com orçamentos municipais cada vez menores;
  14. Os vereadores eleitos passarão pelos primeiros desafios: saber quem nomear em seus
    gabinetes e dar uma repaginada no visual;
  15. Alguns setores de minorias foram eleitos, o que significar que o Brasil pode estar mudando
    para combater o discurso do ódio que foi tão vitorioso em 2018.

Claudio Henrique de Castro

Doutor em Direito (UFSC), Advogado e Professor Universitário.

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