
Na última terça-feira (30), um importante passo foi dado no sistema penitenciário do Paraná com a realização da aula magna do projeto “A Liberdade Tem Asas: O Conhecimento como Travessia”. Este evento ocorreu simultaneamente em 23 unidades penitenciárias do estado, trazendo o ensino superior para mais de 400 apenados. A iniciativa, que visa conectar a academia à realidade dos reclusos, contou com a orientação de tutores e apoio das direções locais, permitindo que os novos acadêmicos participassem de atividades conforme o cronograma da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), abrangendo cidades como Curitiba, Piraquara, Pinhais, Ponta Grossa, Guarapuava, Maringá, Guaíra, Cruzeiro do Oeste, Campo Mourão, Francisco Beltrão, Cascavel, Foz do Iguaçu e Medianeira.
Este projeto é resultado de uma colaboração estratégica entre a Polícia Penal do Paraná (PPPR), a Unioeste, através do Núcleo de Educação à Distância (NeaDuni), e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes/MEC), por meio do Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB). A ação também está alinhada com as diretrizes do Plano Pena Justa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Na fase inicial do programa, mais de 400 pessoas privadas de liberdade (PPL) começaram suas jornadas na graduação na modalidade de Educação a Distância (EaD). Os cursos foram organizados de acordo com as vocações e interesses dos alunos, com 216 matriculados em Tecnólogo em Edificações Sustentáveis, 145 em Tecnólogo em Gestão Pública e 61 em Tecnólogo em Gestão Organizacional e Inovação. A aula magna teve como objetivo apresentar aos estudantes novos as plataformas de aprendizagem e a estrutura da Unioeste, além de instigá-los a refletir sobre como a faculdade pode ser um passaporte para a transformação de suas vidas.
As opções de graduação estão disponíveis para apenados que estão em unidades prisionais equipadas com telecentros e laboratórios de informática, proporcionando um suporte acadêmico adequado. A seleção dos alunos é feita em conjunto pelas equipes pedagógicas e pelas direções das unidades, utilizando critérios simplesmente definidos. Para se candidatar, é necessário ter terminado o ensino médio e ter um tempo de pena que se ajuste à duração do curso, que é estimado em três anos ou mais, além de manifestar um interesse genuíno em estudar.
Uma importante inovação desta etapa é a ampliação da tutoria. Anteriormente limitada a policiais penais, agora o projeto também permite a inclusão de monitores e profissionais terceirizados, ampliando a rede de apoio disponível para os estudantes privados de liberdade.
Para a Polícia Penal do Paraná, este acontecimento marca a consolidação de uma política pública de grande relevância. A chefe da Divisão de Educação e Capacitação da PPPR, Lisiane Haag Antonelli, expressou sua satisfação com a parceria firmada com a Unioeste, ressaltando que a cooperação tem sido crucial na capacitação dos policiais penais para liderar processos de reinserção social através do acesso ao ensino superior. “Iniciativas como essa demonstram, na prática, o poder transformador da educação no sistema prisional, não apenas instruindo, mas dignificando os profissionais da segurança pública e transformando-os em agentes de mudança”, disse Antonelli.
A professora doutora Beatriz Helena Dal Molin, coordenadora-geral do NeaDuni e responsável pelo projeto, compartilhou sua emoção ao ver a implementação do projeto. “É maravilhoso testemunhar a concretização deste projeto. Estou imensamente tocada pelo comprometimento dos tutores, policiais penais e todos os envolvidos. Hoje, iniciamos uma jornada que certamente transformará vidas”, afirmou.
Nas diferentes unidades prisionais, os efeitos positivos do projeto já podem ser percebidos. Em Guaíra, 25 apenados começaram as aulas em um laboratório implementado em colaboração com a Justiça Federal. O diretor da Penitenciária Estadual de Guaíra, Edilson Aparecido de Medeiros, sublinhou a importância da educação para a cidadania: “A educação é fundamental para a reinserção social e oferece novas perspectivas e qualificações profissionais, investindo em dignidade e cidadania.”
Na região de Umuarama, o coordenador regional da PPPR, Arnobe Lemes dos Reis, elogiou a proposta do projeto, que busca proporcionar oportunidades reais de mudança e reafirma o compromisso institucional com a transformação social através do conhecimento. “A educação, o trabalho e outras iniciativas criam novas possibilidades para a vida em sociedade dos indivíduos”, explicou.
Guarapuava também está abrindo portas para 26 alunos com foco em inovação e sustentabilidade, preparando-os para o futuro ao retornarem à sociedade. O diretor da Penitenciária Estadual de Guarapuava – Unidade de Progressão (PEG-UP) destacou o valor histórico da oferta de ensino superior: “Essa é uma oportunidade real de mudança, ao invés de apenas ocupar o tempo, os apenados estão se qualificando em áreas modernas.”
Na Penitenciária Industrial Marcelo Pinheiro, em Cascavel, a aula inaugural foi comemorada com uma exposição de obras feitas pelos PPL e uma palestra de um ex-apenado, Anderson Imperator, que hoje atua como ativista social. Ele enfatizou o valor educativo como um pilar fundamental para a inclusão social, ressaltando como oportunidades podem mudar vidas.
O impacto desse projeto se reflete nas palavras e sentimentos dos que estão cumprindo pena e enxergam uma nova perspectiva de vida. Um dos estudantes, que não pode ser identificado por questões de segurança, expressou sua gratidão: “A educação tem transformado a minha vida. Ao concluir esta faculdade, terei uma chance real de mudar a realidade da minha família. Serei o primeiro na minha casa a cursar uma faculdade”, comentou emocionado.
Fonte:: policiapenal.pr.gov.br











