Educação

Cascavel se destaca como referência nacional em trabalho prisional após visita da Senappen

No dia 30 de outubro, uma comitiva da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), acompanhada por representantes do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen), uma equipe técnica focada na política de trabalho prisional e uma juíza do Maranhão, realizou uma visita técnica ao estado do Paraná. O foco da visita foi a região oeste, mais especificamente as Penitenciárias Estadual Thiago Borges de Carvalho (PETBC) e Industrial Marcelo Pinheiro Unidade de Progressão (PIMP-UP), ambas em Cascavel.

O propósito da visita foi acompanhar a utilização de recursos federais em oficinas de trabalho que têm como objetivo capacitar e empregar pessoas privadas de liberdade. Durante o percurso, a comitiva visitou diferentes espaços produtivos, onde são fabricados artefatos de concreto, itens sanitários, uniformes e outros produtos voltados à qualificação profissional.

Thiago Correia, coordenador regional da Polícia Penal do Paraná (PPPR), enfatizou a importância das atividades laborais nas unidades prisionais. “Atualmente, todas as nossas unidades — sejam cadeias públicas, penitenciárias ou complexos sociais que atendem egressos — estão engajadas em atividades de trabalho. Isso é possível graças a investimentos, políticas públicas e uma infraestrutura que possibilita capacitar, qualificar e gerar reais oportunidades. Esse ciclo não só torna o sistema mais dinâmico, mas também ajuda a reduzir a reincidência e fortalece a reintegração social”, disse ele.

O modelo de trabalho prisional adotado no Paraná foi descrito como um diferencial por Boanerges Silvestre Boeno Filho, chefe da Divisão de Produção e Desenvolvimento da PPPR. Ele argumentou que os resultados da produção realizada nas unidades são reinvestidos dentro do próprio sistema, gerando economia e incentivando a utilização de mão de obra qualificada. “Os produtos fabricados internamente, como os blocos de concreto, são utilizados nas unidades prisionais. Esse modelo não só promove a economia, mas também mantém os detentos ocupados e aprendendo novas habilidades”, explicou Boeno Filho.

O desenvolvimento desse modelo começou em 2019, em parceria com o Governo Federal, que disponibilizou recursos para a implementação de cursos de capacitação e estruturas produtivas. Um exemplo do progresso contínuo é a construção de uma nova fábrica de serralheria e produção de alambrados na cidade, que está em fase de planejamento.

A relevância do modelo paranaense recebeu reconhecimento por parte de Sandro Abel Sousa Barradas, diretor de Políticas Penitenciárias da Senappen, que participou das atividades. “Estamos aqui para validar a aplicação dos recursos federais e observar práticas que podem ser aplicadas em outros estados. O Paraná se destaca pela alta empregabilidade dentro do sistema prisional e pelos avanços na política de trabalho. Cascavel é um exemplo claro desses avanços”, afirmou Barradas.

Segundo ele, o trabalho prisional é essencial na execução penal, transcendendo a simples ocupação dos detentos. “Esse modelo respeita a reintegração social e cumpre as diretrizes da Lei de Execução Penal. O Brasil tem avançado significativamente nesse campo, com programas como o Projeto de Capacitação Profissional e Implantação de Oficinas Permanentes (Procap) expandindo as oportunidades de trabalho e qualificação para os presos”, completou.

A visita teve um caráter técnico e institucional, com a juíza Anelise Nogueira Reginato, do Maranhão, acompanhando a comitiva em busca de boas práticas a serem implementadas em sua região. “A ideia é aprender com o que tem sido feito aqui e adaptar essas práticas à nossa realidade. Quando oferecemos capacitação e oportunidades, aumentamos as chances de que essas pessoas retornem à sociedade preparadas, com uma nova perspectiva de vida, reduzindo a chance de reincidência”, ressaltou a magistrada.

No PETBC, a equipe também conheceu as práticas relacionadas ao trabalho interno e externo, que aliam qualificação profissional com disciplina. Sérgio Renato Sarquis Pinto, diretor da unidade, esclareceu que a inserção dos detentos nas atividades de trabalho é criteriosamente avaliada. “Temos uma equipe técnica que analisa o comportamento e o perfil dos internos. Além do aprendizado profissional, eles recebem remuneração e têm a possibilidade de remissão de pena — a cada três dias trabalhados, um dia é descontado da pena”, detalhou.

Para os internos, os benefícios do programa são imediatos. Um detento que participa da produção de blocos de concreto compartilhou sua experiência: “Antes de entrar aqui, nunca havia trabalhado. Agora, estou aprendendo uma profissão, recebo salário e pensando no futuro. Quero sair desse lugar e fazer a diferença. Aqui, aprendi que posso ter novas oportunidades”, declarou.

Ao término da visita, a comitiva avaliou que o modelo em Cascavel possui os pilares essenciais para uma política penal eficaz: investimentos, boa gestão, infraestrutura e, principalmente, oportunidades. Esses elementos conjunto são fundamentais para transformar o ambiente prisional, contribuir para a redução da reincidência e abrir novos caminhos para a vida fora do cárcere.

Fonte:: policiapenal.pr.gov.br

Aécio Novitski

Idealizador do Site Araucária no Ar, Jornalista (MTB 0009108-PR), Repórter Cinematográfico e Fotógrafico licenciado pelo Sindijor e Fenaj sobre o número 009108 TRT-PR

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