
Menos de um ano após receber o encontro do G20, o Rio de Janeiro volta a ser palco de um dos principais fóruns de articulação internacional. Nos dias 6 e 7 de julho, a capital fluminense sedia a Cúpula do Brics, grupo que reúne as maiores economias em desenvolvimento do mundo. Sob presidência brasileira, o evento reforça o protagonismo do país nas discussões multilaterais e nas demandas do chamado Sul Global.
Formado atualmente por 11 países-membros — África do Sul, Arábia Saudita, Brasil, China, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia, Índia, Irã e Rússia —, o Brics busca fortalecer a cooperação internacional, ampliar sua influência em organismos como ONU, FMI e OMC, e fomentar instituições próprias, como o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), presidido pela ex-presidente Dilma Rousseff.
O grupo, que começou em 2006 com Brasil, Rússia, Índia e China (ganhando o “S” de África do Sul em 2011), passou por uma expansão significativa nos últimos dois anos. Além dos membros, o Brics conta com dez países-parceiros, convidados a participar das discussões: Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda, Uzbequistão e Vietnã.
A principal diferença entre membros e parceiros está no poder de deliberação. Apenas os membros têm direito a voto e à definição dos documentos oficiais do bloco, como a declaração final da cúpula.

O que está em jogo?
O Brics representa 48,5% da população mundial, 39% da economia global e cerca de um quarto do comércio internacional. Também concentra 43,6% da produção de petróleo e 36% do gás natural mundial. Além disso, detém 72% das reservas conhecidas de terras raras, elementos essenciais para a indústria tecnológica e energética.
Entre as prioridades da presidência brasileira em 2025 estão temas como cooperação em saúde global, combate às mudanças climáticas, governança da inteligência artificial, paz e segurança internacional, além de desenvolvimento institucional do próprio grupo.
Durante o período da presidência rotativa, o Brasil promoveu mais de 200 reuniões preparatórias, virtuais e presenciais, com representantes dos países membros e parceiros.

Estrutura e funcionamento
Ao contrário de organizações como a ONU, o Brics não possui orçamento fixo nem secretaria permanente. Suas decisões são tomadas por consenso e sua atuação se dá por meio da articulação diplomática e coordenação política entre os países.
O grupo também conta com instrumentos financeiros importantes, como o Arranjo Contingente de Reservas (ACR), um fundo de US$ 100 bilhões voltado à proteção dos países contra crises cambiais, e o Novo Banco de Desenvolvimento, com mais de US$ 39 bilhões já aprovados em financiamentos para projetos sustentáveis.
Apesar de não haver previsão de novas adesões neste momento, mais de 30 países já manifestaram interesse em ingressar no Brics como membros ou parceiros. A decisão sobre qualquer expansão depende da aprovação unânime dos líderes.
A próxima cúpula será realizada em 2026, na Índia.











