Curitiba

Membro do grupo de “justiceiros” que matava sem piedade quem roubasse no Passaúna foi preso

O proprietário de uma chácara na região do Passaúna, em Curitiba,  foi preso nesta segunda-feira (11),  suspeito de envolvimento na morte de Idineu Santos Gonçalves, de 34 anos, e na tentativa de homicídio contra uma mulher, de 37. Os crimes ocorreram no dia 29 de março deste ano, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC). O suspeito de 59 anos, que não teve o nome divulgado, é acusado de fazer parte de um grupo de “justiceiros” organizado para matar quem realizasse furtos em propriedades rurais na região do Passaúna.

A prisão foi feita pela Polícia Civil do Paraná em cumprimento de mandado de prisão temporária. Na ação, o filho do suspeito, de 26 anos, foi preso em flagrante pelo crime de posse de arma de fogo e munição de uso permitido. Com ele foi apreendido um revólver de calibre .32 e diversas outras munições de calibres .22, .32., .36 e .38.

Conforme foi apurado nas investigações, as vítimas eram dependentes químicos e praticavam furtos na região do bairro São Miguel. Os moradores, inconformados com os prejuízos financeiros, resolveram montar um grupo de justiceiros, via aplicativo de mensagens, com objetivo de identificar e matar aqueles que fossem pegos praticando os furtos.

No dia do crime, as vítimas foram pegas no momento em que furtavam uma roçadeira de uma propriedade vizinha, no Bairro São Miguel. O suspeito – que se encontra preso – efetuou alguns disparos de arma de fogo contra os dois e acionou demais integrantes do grupo, que logo chegaram ao local.

Outro suspeito efetuou um disparo contra Gonçalves, que foi atingido no peito. Os demais indivíduos envolvidos no crime colocaram as vítimas dentro de um veículo e levaram até uma estrada, na CIC. No local, os suspeitos dispararam contra as vítimas novamente e fugiram.

Gonçalves acabou falecendo no local, mas a mulher de 37 anos foi socorrida por moradores do bairro e encaminhada ao Hospital do Trabalhador, onde permaneceu internada, em estado grave, por diversos dias.

Em detalhes

O delegado Thiago Nóbrega, da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), conta que o depoimento da sobrevivente foi fundamental para esclarecer os crimes.“Encontramos a vítima em coma no Hospital do Trabalhador, que sobreviveu mesmo após levar três tiros na cabeça porque as balas transfixaram. Ela contou que era usuária de drogas e que, junto com o companheiro, realizavam furtos em chácaras da região. Eles foram flagrados furtando e o chacreiro, sem piedade, chamou os demais companheiros deste grupo de ‘justiceiros’ e fizeram uma espécie de julgamento sobre o que fazer com as vítimas. Assim que um deles chegou já atirou no peito de Idineu, que ficou agonizando. Daí pegaram os dois e levaram até a divisa com Araucária e lá resolveram executar o casal”, conta o delegado.

A Polícia Civil divulgou imagens do comboio de proprietários de chácaras na região em direção ao local em que o casal seria executado (ver abaixo).

Implorou pela vida

No local escolhido para as execuções, segundo o delegado, a vítima contou que implorou pela vida.“Ela contou que implorou pela vida, que eles chamassem a polícia, mas ouviu o grupo dizendo que não poderia ter testemunha e os dois teriam que morrer”, completou Nóbrega.

A polícia prossegue com as investigações para qualificar e localizar o paradeiro de outros sete suspeitos envolvidos no crime. “Outros corpos foram encontrados na região nos últimos meses e não descartamos que o grupo tenha feito mais vítimas. Isso é lamentável porque, por mais que as vítimas estivessem praticando furtos e erradas, nada justifica tirar a vida de alguém. Além do que, a polícia está aqui para isso”, finalizou o delegado.

Banda B

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