
Mulheres vítimas de violência em Araucária contam com uma rede de proteção estruturada para oferecer acolhimento, segurança e suporte especializado. A importância desse trabalho foi reforçada durante um ato simbólico realizado no Centro de Convivência da Pessoa Idosa (CCPI), em referência ao Dia Estadual de Combate ao Feminicídio. A atividade substituiu a caminhada prevista para a data, que precisou ser cancelada em razão das condições climáticas.
O evento reuniu representantes da Prefeitura, das polícias Civil e Militar, do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, da Câmara Municipal e de instituições que integram a Rede de Proteção à Mulher. O objetivo foi destacar a importância da união entre os órgãos públicos e entidades para prevenir e combater a violência contra as mulheres.
No município, a rede atua de forma integrada para garantir que cada mulher receba atendimento de acordo com sua realidade. O acolhimento pode incluir acompanhamento psicológico e social, atendimento na área da saúde, orientações jurídicas, acesso a benefícios socioassistenciais, qualificação profissional e encaminhamento para outros serviços, proporcionando uma resposta rápida, humanizada e eficiente.
Durante a cerimônia, a história de Cilmara Aparecida de Mello, de 43 anos, mostrou o impacto do trabalho desenvolvido pela Rede de Proteção. Depois de anos vivendo um relacionamento abusivo, ela conseguiu romper o ciclo da violência com o apoio dos serviços oferecidos pelo município.
Além do acompanhamento da Patrulha Maria da Penha, Cilmara recebeu atendimento psicológico, apoio social, auxílio para inserção no mercado de trabalho e incentivo para continuar os estudos. Hoje, formada e cursando pós-graduação, ela afirma que o suporte recebido foi essencial para reconstruir sua vida ao lado dos dois filhos.
Dados apresentados durante o encontro reforçam a importância do fortalecimento das políticas públicas voltadas às mulheres. Desde a criação do Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM Eliane de Lima Purger), em fevereiro de 2018, nenhuma vítima de feminicídio registrada no município havia sido acompanhada pelo CRAM ou pelos serviços da Rede de Proteção.
A coordenadora do CRAM, Simone Eloise Vicenti, explica que esse dado evidencia um desafio importante.
“O grande desafio das políticas públicas é identificar e alcançar, de forma precoce, as mulheres que ainda permanecem invisíveis aos serviços de proteção, antes que a violência evolua para suas formas mais graves.”
A procura pelo serviço demonstra sua relevância. Em 2025, o CRAM realizou 13.721 atendimentos. Somente entre 1º de janeiro e 22 de julho de 2026, já foram contabilizados 6.962 atendimentos.
O centro oferece atendimento psicológico e social especializado, avaliação de risco, orientações sobre direitos, elaboração de estratégias de segurança e encaminhamentos para assistência jurídica, psicoterapia, qualificação profissional e inserção no mercado de trabalho.
A Patrulha Maria da Penha, vinculada à Secretaria Municipal de Segurança Pública, também desempenha papel fundamental na proteção das mulheres. Atualmente, o serviço acompanha cerca de 1.300 medidas protetivas determinadas pela Justiça.
As equipes realizam visitas periódicas, monitoramento por telefone e fiscalização do cumprimento das medidas judiciais. Além disso, o município disponibiliza o botão do pânico, dispositivo que permite o acionamento imediato da Guarda Municipal em situações de risco, garantindo uma resposta rápida e, quando necessário, a prisão em flagrante do agressor.
Com uma atuação integrada entre diferentes órgãos e serviços, Araucária fortalece o combate à violência contra a mulher e oferece às vítimas apoio para reconstruírem suas vidas com mais segurança, dignidade e autonomia.











