A criação de búfalos vem ganhando espaço na Região Metropolitana de Curitiba (RMC) e já representa uma parcela expressiva da pecuária paranaense. De acordo com dados da Produção da Pecuária Municipal (PPM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os municípios da região concentravam 22.266 animais em 2025, o equivalente a 47,6% do rebanho estadual, estimado em 46.735 cabeças.
O crescimento da atividade é significativo. Em 2015, a RMC contabilizava 8.576 búfalos. Dez anos depois, o número chegou a 22.266, representando um aumento de aproximadamente 160%.
O destaque está no Vale do Ribeira, onde municípios como Cerro Azul e Rio Branco do Sul se consolidaram entre os principais produtores. Cerro Azul lidera o levantamento, com 5.662 animais, seguido por Rio Branco do Sul, com 4.769, e Adrianópolis, com 3.798.
Também aparecem entre os maiores rebanhos Itaperuçu, com 2.923 búfalos, e Doutor Ulysses, com 1.348. Juntos, os cinco municípios somam 18.500 animais, aproximadamente 83% de todo o rebanho da Região Metropolitana.
A expansão da bubalinocultura, como é chamada a criação de búfalos, está relacionada principalmente à produção de leite e derivados. O produto apresenta maior concentração de gordura, proteínas e sólidos totais em comparação ao leite bovino, o que proporciona melhor rendimento na fabricação de queijos, iogurtes e doces.
Segundo informações da Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB), os laticínios brasileiros receberam cerca de 20,4 milhões de litros de leite de búfala em 2024. O volume representa um crescimento expressivo em relação a 2001, quando a captação nacional foi de aproximadamente 1 milhão de litros.
Uma das vantagens está na produção de muçarela. Conforme a médica-veterinária Inara Corrêa de Almeida, da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Rio Branco do Sul, são necessários cerca de cinco litros de leite de búfala para produzir um quilo do queijo. Com leite bovino, a quantidade pode chegar a dez litros.
Além do rendimento industrial, o leite de búfala possui maior concentração de cálcio, fósforo, proteínas e vitaminas, características que agregam valor aos produtos derivados.
A mudança da criação de bovinos para bubalinos tem sido uma alternativa para produtores rurais da região. Em Itaperuçu, o produtor Welinton Eduardo Cardoso fez essa transição ao identificar vantagens na atividade, como a rusticidade dos animais e o rendimento na produção de queijos.
Com apoio de uma linha de crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), ele e a família investiram na estruturação da propriedade. Atualmente, parte do leite é destinada a laticínios e outra parcela é comercializada no mercado local. A família também passou a produzir doce de leite e comercializar os filhotes desmamados.
Outra produtora de Itaperuçu, Izima de França de Jesus, também substituiu a criação de bovinos pela de búfalos. A família iniciou a atividade em 2013, com a compra de dez novilhas e um reprodutor. Atualmente, mantém um rebanho com mais de 70 animais.
A propriedade já trabalhou com a fabricação de queijos, mas atualmente concentra a produção na venda de leite e na comercialização dos animais jovens.
Em Rio Branco do Sul, um entreposto recebe o leite produzido nas propriedades da região e encaminha o produto principalmente para uma empresa de São Paulo, responsável pelo processamento. Pequenos produtores também fabricam queijos e outros derivados para venda no comércio local.
A Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento oferece assistência técnica, capacitação e orientação sobre as exigências sanitárias, incluindo exames e vacinação para manter a saúde dos rebanhos.
O potencial da atividade também ganhou espaço na gastronomia regional. Em agosto, Rio Branco do Sul realizou o primeiro Festival do Búfalo, reunindo aproximadamente cinco mil pessoas no Bosque Municipal. O evento buscou aproximar produtores e consumidores e apresentar as possibilidades econômicas e gastronômicas da bubalinocultura.
A atividade vem se consolidando como uma alternativa para diversificar a produção rural, ampliar a renda das famílias e fortalecer a agricultura familiar no Vale do Ribeira e em outros municípios da Região Metropolitana de Curitiba.









