A UniCesumar decidiu desligar estudantes dos cursos de Medicina das unidades de Cascavel e Maringá, no Paraná, após a divulgação de mensagens com conteúdo preconceituoso direcionado a colegas beneficiados por programas de bolsas de estudo. As conversas foram compartilhadas em um grupo de WhatsApp e continham comentários que ridicularizavam alunos que dependem de iniciativas sociais para pagar a faculdade.
A sindicância interna foi concluída na sexta-feira (30). Após analisar o caso, a instituição aplicou medidas disciplinares aos envolvidos, que incluem advertências, suspensões e desligamentos, de acordo com a gravidade das condutas identificadas.
Nas conversas divulgadas, alguns participantes fizeram comentários sobre a condição financeira de suas famílias e compararam estudantes que pagam integralmente a mensalidade com aqueles que ingressaram na instituição por meio de programas de acesso ao ensino superior.
Em uma das mensagens, um aluno ironizou os beneficiários do Programa Universidade para Todos (Prouni), relacionando a continuidade do programa ao resultado das eleições presidenciais. Em outro trecho, um participante afirmou que sua família tinha condições de arcar com mensalidades de aproximadamente R$ 15 mil e fez comentários depreciativos sobre os bolsistas.
As mensagens também apresentavam comparações entre estudantes que precisaram trabalhar para custear os estudos e aqueles que receberam apoio financeiro para ingressar na graduação.
Em posicionamento oficial, a UniCesumar reafirmou seu compromisso com a ética, o respeito à vida e os princípios que orientam a formação acadêmica. A instituição declarou repudiar qualquer forma de preconceito ou discriminação.
Antes da conclusão da sindicância, a universidade já havia divulgado uma manifestação inicial, na quarta-feira (28), informando a abertura de uma apuração interna para esclarecer os fatos.
A instituição também esclareceu que o grupo de WhatsApp não era um canal oficial e não possuía vínculo com a universidade. Como o acesso acontecia por convite dos próprios participantes e não era restrito à comunidade acadêmica, a identificação dos integrantes ligados à instituição ocorreu apenas nos casos em que foi possível confirmar o vínculo estudantil.
A UniCesumar informou ainda que não divulgaria os dados dos estudantes envolvidos, em respeito às questões legais e éticas relacionadas à confidencialidade.
O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) publicou uma nota de repúdio às manifestações discriminatórias atribuídas aos estudantes das unidades de Cascavel e Maringá.
Segundo o conselho, as atitudes relatadas contrariam os princípios do Código de Ética do Estudante de Medicina, que estabelece o compromisso com a saúde humana e o atendimento à coletividade, sem qualquer tipo de discriminação.
A entidade ressaltou que a formação médica exige responsabilidade social e valores humanísticos, voltados à promoção do bem-estar físico, mental e social. Para o CRM-PR, manifestações preconceituosas são incompatíveis com esses princípios e não devem ser toleradas no ambiente de formação profissional.
O conselho informou que acompanhará os desdobramentos do caso e poderá adotar as providências cabíveis dentro de suas atribuições.









