
Questões frequentes que surgem durante a menopausa, a exemplo da secura vaginal, dores durante as relações sexuais e a diminuição da libido, não devem ser encaradas como um processo natural e inevitável do envelhecimento, tampouco ignoradas nos consultórios médicos. De acordo com a ginecologista Jussimara Souza Steglich, representante da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), o bem-estar sexual precisa ser integrado aos cuidados com a saúde da mulher ao longo de todas as etapas de sua vida, abrangendo também o período posterior à menopausa.
“A sexualidade não morre. Ela pode ficar obscurecida por algum fator que não deixa a mulher viver a sua sexualidade”, pontua a médica, que integra a Comissão Nacional Especializada em Sexologia da Febrasgo.
A especialista ressalta que é um equívoco comum por parte dos profissionais de saúde assumir que pacientes em idades mais avançadas não mantêm vida sexual ativa. Frequentemente, os ginecologistas deixam de questionar sobre o tema durante as consultas, negligenciando queixas importantes devido a pré-conceitos etários.
Além disso, o tabu em torno do assunto faz com que muitas pacientes sintam constrangimento ao relatar seus desconfortos. “As pessoas acham o sexo uma coisa muito proibida. Mas, ao contrário, tem que ser natural e conversada com o seu médico e, também, com quem está com você”, aconselha a profissional da Febrasgo.
Para contornar os impactos dessa fase, a médica recomenda uma mudança na perspectiva mental, associada a hábitos saudáveis como a prática regular de atividades físicas e uma alimentação equilibrada. “Porque é um combo que vem com a menopausa. Há também a questão dos hormônios que podem ser usados, com orientação do médico”, completa.
Fatores físicos e doenças associadas

Jussimara Souza Steglich aponta que incômodos como a secura vaginal e a dor no ato sexual também podem estar associados a condições clínicas subjacentes. A dor profunda na região pélvica, por exemplo, pode decorrer de patologias como endometriose, aderências ou doença inflamatória pélvica, além de desconfortos localizados na região do assoalho pélvico.
“Essa mulher que sente dor vai contrair totalmente o corpo inteiro e, muito mais, os músculos do assoalho pélvico. Toda mulher que tem dor sexual tem o componente da dor e o componente da contratura muscular. Por isso, é importante um trabalho multidisciplinar”, sugere a ginecologista.
Para a especialista, as discussões sobre a longevidade feminina precisam necessariamente incluir a menopausa e a sexualidade. No Brasil, o universo de mulheres nessa faixa etária é estimado em cerca de 30 milhões, enquanto levantamentos nacionais indicam que aproximadamente 82% delas enfrentam sintomas que afetam diretamente a sua qualidade de vida.
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br










