
A greve dos servidores municipais de Araucária foi suspensa no fim da tarde desta terça-feira (6), após uma semana de mobilização e novas rodadas de negociação entre representantes dos trabalhadores e a administração municipal.
A paralisação teve início em 29 de setembro e foi motivada principalmente pela tramitação da Proposta de Emenda à Lei Orgânica (PELO) nº 11/2026, além dos Projetos de Lei nº 2.839/2026 e nº 2.841/2026. Entre os pontos de maior divergência estavam mudanças relacionadas ao Fundo de Previdência Municipal de Araucária (FPMA), à representação sindical e à organização da administração pública.
Segundo as entidades que representam os servidores, a mobilização resultou em avanços nas negociações e na construção de uma nova redação para dispositivos relacionados ao FPMA, com o objetivo de ampliar as garantias de autonomia do fundo em relação ao Poder Executivo.
Na segunda-feira (5), representantes dos sindicatos e técnicos do FPMA apresentaram propostas de alteração ao artigo 71 da Lei Orgânica. A administração municipal se comprometeu a elaborar uma nova proposta de redação após analisar os pontos apresentados.
O FPMA esteve no centro das discussões durante a greve. Os sindicatos manifestaram preocupação com a possibilidade de mudanças na legislação ampliarem a influência do Executivo sobre a gestão da Previdência dos servidores.
A Prefeitura, por sua vez, sustentou durante a paralisação que a proposta não retiraria a autonomia administrativa, técnica e financeira do Fundo. Segundo a administração, a gestão e a fiscalização permanecem sob responsabilidade de servidores efetivos, com representantes eleitos pelos próprios funcionários.
Com as negociações realizadas nos últimos dias, representantes dos trabalhadores afirmam que foram construídas garantias adicionais para preservar a autonomia do FPMA. A nova redação ainda deverá seguir os trâmites necessários no Legislativo municipal.
Outro ponto que permanece em aberto é a situação dos dias em que os servidores permaneceram em greve.
De acordo com as informações divulgadas pelas entidades sindicais, o desconto ou a reposição dos dias parados será tratado posteriormente em uma mesa de mediação entre as partes.
A definição sobre eventual reposição das atividades e o cumprimento do calendário escolar, especialmente na rede municipal de ensino, ainda depende das próximas negociações.
Além da questão previdenciária, a mobilização também envolveu mudanças propostas pela administração nas regras relacionadas aos servidores afastados para exercer funções de direção sindical.
A Prefeitura defende que, nesses casos, a remuneração dos servidores afastados exclusivamente para atividades sindicais passe a ser custeada pelas próprias entidades. Os sindicatos, por outro lado, consideram que a alteração pode prejudicar a organização e a representação dos trabalhadores.
As alterações fazem parte do conjunto de propostas que ainda tramita na Câmara Municipal.
A mobilização começou em 29 de setembro, quando aproximadamente 1,5 mil servidores participaram de uma manifestação relacionada à votação em primeiro turno das propostas na Câmara Municipal. Durante o período de greve, houve também ocupação do prédio da Prefeitura e manifestações em outros pontos do município.
A paralisação provocou impactos principalmente nas áreas de educação e saúde. Segundo dados divulgados pela Prefeitura, 60 das 74 unidades escolares tiveram algum tipo de comprometimento no atendimento, enquanto aproximadamente 600 servidores da saúde aderiram ao movimento.
A greve também foi alvo de decisões judiciais. O Tribunal de Justiça do Paraná elevou para R$ 50 mil por dia a multa em caso de descumprimento de decisão relacionada à paralisação do magistério. A Prefeitura também havia questionado judicialmente o cumprimento de requisitos para a manutenção da greve.
Com a suspensão da greve, os servidores retornam às atividades, mas as discussões sobre as propostas que deram origem à mobilização continuam.
A próxima etapa envolve a construção da nova redação para os dispositivos relacionados ao FPMA, a continuidade das tratativas sobre os demais pontos questionados pelos sindicatos e a negociação sobre os dias parados.
As entidades sindicais também devem acompanhar a tramitação das propostas na Câmara Municipal, onde o texto ainda precisa avançar nas etapas legislativas.
A suspensão da paralisação representa, portanto, uma nova fase das negociações entre servidores e administração municipal, com os pontos acordados e aqueles que ainda permanecem em discussão sendo acompanhados pelas partes.










