
Entre atabaques, agogôs, sanfonas e batidas de funk, a cantora Anitta transformou experiências de fé, ancestralidade e busca por equilíbrio em inspiração para a música. No álbum recém-lançado Equilibrivm II, oitavo de sua carreira, a artista reúne sonoridades das religiões afro-brasileiras, da música popular e dos ritmos urbanos.
Em uma edição especial do programa Sem Censura, da TV Brasil, a artista contou como essa relação com a espiritualidade, presente desde a infância, atravessou diferentes momentos de sua trajetória até chegar ao novo trabalho. Veja aqui o programa completo.
Com 17 faixas, o álbum vai além de uma escolha estética. As referências musicais e temáticas estão profundamente ligadas à própria história de vida da cantora, que buscou traduzir em arte suas vivências pessoais e espirituais.
Devota do candomblé e filha de Logunedé, Orixá associado à beleza, à riqueza e à inteligência, Anitta revelou que a religião afro-brasileira faz parte de sua rotina desde pequena.
Superação do preconceito
Aos 8 anos, ela frequentava todos os domingos uma igreja, levada pela mãe. Ao mesmo tempo, era acompanhada pelo pai, que mantinha ligação com a umbanda e posteriormente se tornou pai de santo no candomblé.
Em 2018, Anitta lembra que passou a ser alvo de fortes cobranças públicas por não se posicionar politicamente. Ela explicou que, na verdade, passava por um período de reclusão religiosa naquele momento exato.
“Com essa rapidez da internet, um dia, dois, uma semana de silêncio é muito tempo. Só que nessa época eu estava fazendo santo, e a gente fica ali deitada para o seu santo de cabeça no terreiro de candomblé por um mês.”
Foi nesse cenário que a artista decidiu falar abertamente sobre sua ligação com o candomblé, rompendo com o receio de represálias comerciais.
“Eu não tinha saído do armário ainda, porque, na época, era muito prejudicial para as publicidades, para as campanhas, para você fazer dinheiro, para você vender. Era perigosíssimo.”
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Conexão com Carmen Miranda
Durante a entrevista, Anitta também compartilhou a influência da cantora Carmen Miranda em sua trajetória artística. O primeiro livro que leu sobre a histórica intérprete fez com que identificasse fortes semelhanças entre as personalidades de ambas.
“Li e fiquei em choque, parecendo que as nossas personalidades eram muito parecidas. As coisas que se diferem nas nossas personalidades são apenas por questões da época e como na época os costumes eram outros, acabam tendendo um pouco para um lado ou para outro.”
Durante o programa na TV Brasil, foi exibido um trecho clássico de Carmen Miranda dançando. Na cena, a artista tropeça e segue para o camarim. Anitta recordou que Carmen faleceu pouco tempo depois, vítima de um infarto. “Eu falei: eu preciso mudar esse final”, declarou.
A relação com a figura de Carmen Miranda integra uma reflexão mais ampla de Anitta sobre carreira, o peso da exposição pública e os limites físicos impostos pela rotina exaustiva de uma artista com forte projeção internacional.
Busca por saúde e equilíbrio
Anitta relatou na emissora pública que chegou a enfrentar um período de intenso desgaste físico provocado pelo ritmo profissional. Segundo ela, a agenda incluía viagens constantes ao redor do mundo e períodos mínimos de descanso.
“Eu já estava bem doente, fisicamente, porque eu não tinha folga e tinha uma folga por mês. Eu vivia no avião, metade da semana eu dormia no avião, porque tinha a carreira internacional.”
Para a cantora, essa dinâmica impactou diretamente a capacidade de recuperação natural do organismo.
“E aí o seu corpo vai ficando muito inflamado. O corpo vai perdendo a capacidade de processar.”
Foi nesse contexto de exaustão que Anitta buscou o auxílio da terapeuta Max Tovar, há cerca de quatro anos. A cantora participou de um retiro terapêutico, onde escreveu grande parte das reflexões e falas que compõem o repertório de seu novo álbum.
Convidados e debate cultural
A edição especial do programa Sem Censura foi conduzida pela apresentadora Cissa Guimarães, contando com a participação de nomes importantes da cultura e da mídia. Estiveram presentes a diretora artística Nídia Aranha, responsável pela direção criativa de Equilibrivm II, o babalorixá e antropólogo Rodney William, o jornalista e empresário Hugo Gloss, além da debatedora Luana Xavier.
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br










