
A Esplanada dos Ministérios, na capital federal, foi tomada por uma explosão de cores, bandeiras e manifestações culturais durante a realização da 27ª Parada do Orgulho LGBT+ de Brasília, neste domingo (26). Sob o sol forte da seca brasiliense, o evento reuniu milhares de participantes que coloriram a paisagem em frente ao Congresso Nacional com fantasias, maquiagens e leques, reforçando a mensagem central de visibilidade e resistência da comunidade.
Além da atmosfera festiva, a edição deste ano colocou em evidência o papel político da mobilização. Com o lema “LGBT, levante e vote”, o evento buscou conscientizar a população sobre a importância da participação nas urnas e a escolha de representantes comprometidos com a defesa dos direitos civis e a proteção social.
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A estilista e performer maranhense Ravenna Wandelookx, que reside em Brasília há 16 anos e frequenta a marcha desde o início de sua estadia na cidade, destacou a harmonia entre a celebração e a conscientização política.
“A gente tem que ter muita consciência, além da diversão, claro. A gente vem para se divertir, mostrar brilho, se jogar. Mas ter sempre uma consciência de que a gente tem uma vida além disso, e que podemos passar para as pessoas que isso pode ser muito bom, apesar do ódio de cada um”, pontuou Ravenna durante conversa com a equipe de reportagem.

Ravenna Wandelookx fala com a Agência Brasil durante a 27ª Parada do Orgulho LGBT+ de Brasília – Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
O direcionamento político da manifestação também foi enfatizado por Richard Alexandre, um dos organizadores do evento. Para ele, a ocupação do espaço público cumpre um papel duplo de celebração e cobrança por cidadania.
“Não é só festa, é muita luta. Mas também a gente se diverte, a gente usa as nossas cores para se divertir, usa o espaço para mostrar que a gente exige, existe, que a gente quer respeito, quer dignidade”, afirmou.
A estrutura da Parada contou ainda com tendas de serviços voltadas à população, oferecendo atendimentos de enfermagem, suporte especializado da Polícia Civil para o registro de denúncias contra práticas de LGBTFobia, além de orientações da Defensoria Pública relativas à inclusão do nome social em documentos oficiais.
Conscientização eleitoral

A 27ª Parada do Orgulho LGBT+ de Brasília teve concentração em frente ao Congresso Nacional, na Esplanada dos Ministérios. – Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
A escolha do tema eleitoral para a manifestação deste ano reflete a busca por maior representatividade institucional. Os organizadores pontuam que o engajamento cívico é a ferramenta principal para barrar discursos de ódio e assegurar avanços legislativos.
“A gente precisa, cada vez mais, de parlamentares que entendam a nossa pauta, que nos respeitem e que nos protejam, que usem a legislação a favor da proteção da comunidade”, argumentou Richard Alexandre.
O coordenador da iniciativa, Welton Trindade, avaliou a trajetória histórica do movimento desde a sua primeira edição, em 1998. Segundo ele, o cenário político atual demonstra avanços graduais na ocupação de espaços de poder, embora ressalte que ainda há um longo caminho a percorrer na garantia integral de direitos.
Tradição e militância intergeracional

A 27ª Parada do Orgulho LGBT+ de Brasília teve concentração em frente ao Congresso Nacional, na Esplanada dos Ministérios. – Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Entre os milhares de presentes, histórias de longa data com o ativismo se destacavam. Enrolada em uma bandeira do Brasil customizada com as cores do arco-íris, a aposentada Sueli Oliveira, de 67 anos, acompanhava atenta as apresentações musicais e os pronunciamentos vindos dos trios elétricos.
Militante e lésbica, Sueli relata que participa regularmente de marchas em defesa da diversidade tanto em Brasília quanto em São Paulo, definindo sua presença como um hábito consolidado de resistência. Para ela, a visibilidade nas ruas atua diretamente no combate ao preconceito cotidiano.
“É importante a gente participar das atividades como uma forma de dar visibilidade à nossa luta, à nossa existência”, pontuou. Ao reforçar o papel do voto e da união comunitária, a participante sintetizou o espírito do ato público: “É o momento em que a gente para pra dizer: atenção, nós existimos, nós temos o direito, como qualquer outro cidadão e cidadã, de estarmos aqui, de votarmos, de amarmos quem nós quisermos”.
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br











