
Vinte e quatro anos depois, começou, nesta terça-feira (8), o júri popular do policial civil Celso Domício de Lima, acusado pela morte do instalador de alarmes Moisés Vasques Kokurudza, em Curitiba. Então com 26 anos, Moisés morreu durante abordagem no bairro Cajuru, no ano de 1995. Segundo o acusado, o disparo aconteceu em legítima defesa, já que a vítima teria desrespeitado ordens policiais por diversas vezes. Já a família contesta a versão.
De acordo com o advogado de defesa de Cascavel, o criminalista Adriano Bretas, o policial luta há anos contra um grave câncer na próstata, razão pela qual o julgamento vinha sendo protelado. Ele chegou ao local de maca. “É um homem idoso, debilitado, que faz quimioterapia quase que diariamente, que depende de terceiros, cuidadores e parentes para se locomover, fazer coisas simples a um ser humano saudável”, disse Bretas.
O advogado pediu que o julgamento fosse novamente adiado, uma vez que Celso está em um momento muito agudo da doença, sofrendo com dores fortes, efeitos colaterais da quimioterapia, mas o pedido foi negado. “Se essa é a vontade da justiça, do juiz, que seja feita, embora não concordemos”, resumiu Adriano Bretas.
A esposa do instalador de alarmes, Rosangêla Nunes, admitiu que já não acreditava que o júri fosse acontecer e afirmou ter um único questionamento ao policial: “Eu quero saber se ele conseguiu dormir ao longo desses 24 anos. Mas infelizmente, só eu sei o que passei e o que os meus filhos sofrem até hoje. O Moisés sempre foi um bom marido e um bom pai”, disse.
Rosângela diz que a morte aconteceu após um dia de folga de Moisés. “Essa foi a noite de terror da minha vida. Meu marido tinha ido pescar e já havia voltado para casa para deixar as varas de pescar, mas saiu novamente para levar um amigo para casa. Esse policial deu um tiro para matar e o deixou lá para morrer”, afirmou.
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