
O Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) promoveu, na última sexta-feira (17), a formatura da nova turma do Curso de Mergulho Autônomo (CMAut) 2026, realizada no quartel do Comando-Geral, em Curitiba. A cerimônia contou com a participação de 14 novos profissionais, sendo 13 bombeiros e um policial, o que representa um significativo aumento na capacidade operacional da corporação para atender a demandas em ambientes aquáticos em todo o estado paranaense.
Estiveram presentes na formatura o comandante-geral, coronel Antonio Geraldo Hiller Lino; o comandante da Escola Superior de Bombeiro (ESBM), tenente-coronel Eduardo Gomes Pinheiro; e o comandante do Grupo de Operações de Socorro Tático (GOST), tenente-coronel Ícaro Gabriel Greinert, que também coordena o curso.
Em seu discurso, Hiller enfatizou a relevância da capacitação oferecida. “A formação desses mergulhadores não só qualifica novos especialistas como também dissemina esse conhecimento entre nossas unidades em todo o Estado. Esses militares se tornarão referências, contribuindo para o aumento da capacidade técnica de toda a corporação”, declarou.
Desde sua criação em 2009, o CMAut já formou cinco turmas de militares especializados em operações que envolvem pessoas, veículos ou objetos submersos, utilizando mergulho autônomo e equipamentos de respiração subaquática.
Preparação de Elite
A capacitação, que teve duração de seis semanas e uma carga horária total de 319 horas-aula, desafiou os alunos com atividades de alta complexidade técnica. Os estudantes enfrentaram rigorosos testes de preparo físico, controle emocional e domínio das técnicas de mergulho. Um diferencial do curso, em relação a formações similares no Brasil, foi o uso de equipamentos e técnicas avançadas voltadas para a segurança pública.
O curso foi dividido em duas fases. A primeira etapa consistiu em treinamentos em piscina, focando na base teórica e no desenvolvimento do controle emocional. Na fase seguinte, as atividades foram realizadas em ambientes naturais, como rios, lagos, represas, pedreiras e no mar.
Entre os principais desafios enfrentados pelos alunos estavam a baixa visibilidade e a necessidade de tomar decisões sob pressão. “A fase de piscina é crucial para preparar o aluno para situações adversas. Utilizamos exercícios progressivos e simulações de falhas de equipamento, exigindo que o mergulhador resolva problemas submersos sem visibilidade”, explicou o 1º tenente Gabriel Marcondes, coordenador do curso.
Os mergulhadores são convocados em diversas situações que requerem buscas subaquáticas, como afogamentos, acidentes com embarcações e a recuperação de objetos ou evidências.
Um dos casos mais emblemáticos da atuação dos bombeiros mergulhadores aconteceu em 2021, quando uma embarcação da Polícia Militar naufragou durante uma operação no Rio Paraná, no Noroeste do Estado. Após mais de duas semanas de buscas, as equipes do GOST conseguiram localizar armamentos que haviam afundado em uma operação de alta complexidade sob correnteza.
Avanços e Tecnologias
Recentemente, a corporação adquiriu novos equipamentos, como máscaras full face que protegem completamente o rosto do mergulhador, permitindo respiração natural, além de roupas secas que evitam o contato com água contaminada.
“Esses avanços aumentam significativamente a segurança das operações, tanto física quanto biologicamente, permitindo que o bombeiro atue com maior proteção em ambientes adversos”, ressaltou Marcondes.
A formação também incluiu técnicas avançadas, como mergulho com misturas gasosas ricas em oxigênio, o que visa aumentar a segurança e o tempo de permanência submersa. O curso foi ministrado por instrutores altamente qualificados, oriundos de diversos estados, proporcionando troca de experiências e atualização de procedimentos.
Capacidade Operacional Ampliada
Após a formatura, os novos mergulhadores retornarão às suas unidades de origem, localizadas em diversas cidades paranaenses, incluindo Curitiba, Paranavaí, Maringá, Cascavel, Francisco Beltrão, Apucarana e Londrina. Essa estratégia assegura que diversas regiões do Estado contem com pelo menos um especialista em mergulho.
A formação deste novo grupo de mergulhadores não apenas amplia a capacidade de resposta do CBMPR em emergências complexas, mas também aumenta a segurança nas operações, uma vez que o mergulho é uma das atividades mais exigentes e perigosas da profissão. A especialização é fundamental para a tomada de decisões rápidas e eficazes em situações críticas.
Fonte:: parana.pr.gov.br










