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Médicos brasileiros fazem cirurgia intrauterina inédita no mundo

Um procedimento inédito no mundo para corrigir uma má-formação congênita em um feto de 33 semanas, ainda no útero da mãe, foi feito no Hospital da Criança e Maternidade de São José do Rio Preto, no interior paulista, neste mês de junho. O feto com gastrosquise – abertura no abdômen que permite que órgãos, normalmente o intestino, se desenvolvam do lado de fora – foi operado pela técnica de fetoscopia. Até então, o paciente era operado logo após o nascimento. O procedimento foi apresentado nesta semana no Congresso Mundial de Medicina Fetal, em Alicante, na Espanha. No Brasil, a cada 2 mil bebês, um nasce com essa má-formação.

Também participaram do procedimento, médicos do Hospital Albert Einstein, de São Paulo; Universidade de Taubaté; e do Hospital de Baia Blanca, da Argentina. “[Com a cirurgia após o nascimento,] esses bebês levam muito tempo para conseguir se alimentar. Muitas vezes esse intestino nasce meio que paralisado ou muito inflamado e leva muito tempo até que eles consigam se alimentar por boca. Dependem de alimentação parenteral, muito tempo de internação de UTI e de internação hospitalar. Pela técnica tradicional, a gente tinha um tempo de internação média em torno de 30 dias”, explicou Oliveira.

Com o aperfeiçoamento dessa técnica, a cirurgia intrauterina representará benefícios em relação ao procedimento convencional. Entre elas, o fato de que a operação é feita no ambiente mais “estéril possível”, ainda no útero materno, diminuindo o risco de infecção. Outra vantagem é o nascimento de um bebê já sadio, que poderá, por exemplo, mamar diretamente no seio da mãe e ter alta hospitalar em dois ou três dias. Além disso, há os aspectos emocionais relacionados à mãe, pois ela poderá estar com o bebê desde os primeiros momentos de vida dele.

A cirurgia ainda não está disponível de forma ampla a qualquer paciente. “Isso demanda um treinamento técnico muito intenso e uma estrutura física que não é qualquer hospital que terá. Como toda técnica nova ela demanda uma série de aperfeiçoamento e de mais experiência para que isso possa ser disseminado”, explicou Oliveira. Ele destacou que, para esse procedimento, foram mobilizadas diferentes equipes com expertises diferenciadas. A escolha do Hospital da Criança, por exemplo, se deu por ser uma unidade com experiência na técnica tradicional de gastrosquise.

Agência Brasil

Aécio Novitski

Idealizador do Site Araucária no Ar, Jornalista (MTB 0009108-PR), Repórter Cinematográfico e Fotógrafico licenciado pelo Sindijor e Fenaj sobre o número 009108 TRT-PR

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