
A Polícia Civil do Paraná (PCPR) realizou a prisão de um advogado nesta segunda-feira (1º), sob a acusação de facilitar repasses ilícitos que totalizam mais de R$ 273 mil para um líder do tráfico de drogas atuante no bairro Parolin, em Curitiba. A ação é parte de uma operação que teve início em abril deste ano.
Essa operação, que representa a segunda fase de uma investigação, já resultou na prisão de 11 indivíduos suspeitos de integrar uma organização criminosa que movimentava aproximadamente R$ 30,5 milhões em atividades relacionadas ao tráfico de entorpecentes e lavagem de dinheiro.
As investigações sobre esse grupo criminoso começaram em junho de 2025. O grupo consolidou seu controle na região do Parolin após um confronto armado que resultou na desarticulação de uma facção rival. Com isso, diversas residências na área passaram a ser utilizadas como depósitos estratégicos para armas e drogas, além de servirem como esconderijos para a organização.
A liderança da estrutura criminosa estava centralizada em um indivíduo e seu parceiro, que gerenciavam a atividade a distância. Ambos alegaram ter sido ameaçados de morte, o que os levou a transferir o cumprimento de suas penas para Maceió, em Alagoas. Eles foram capturados durante a operação ocorrida em abril.
Durante a investigação, a PCPR coletou diversas evidências que apontaram a participação direta do advogado de Curitiba na ocultação das atividades delituosas associadas ao seu cliente no Alagoas. A atuação do profissional foi descrita como intencional e realizada sob a aparência de legalidade, visando tanto a promoção pessoal quanto o lucro financeiro da organização criminosa, segundo o delegado responsável, Ricardo Casanova.
Os indícios revelaram que o advogado constituiu uma empresa registrada em seu próprio endereço e, a partir dessa entidade, realizou repasses que somaram R$ 96 mil, destinados ao pagamento de um ano de aluguel para o líder do tráfico em um condomínio de luxo em Alagoas. Esse contrato foi intermediado pelo advogado utilizando dados pessoais de um usuário de drogas que se encontrava em uma situação de vulnerabilidade extrema, conforme relatou o delegado.
Além dos repasses mencionados, a PCPR também descobriu transações adicionais totalizando R$ 177,9 mil, ligadas à empresa de fachada, que envolviam operadores financeiros da organização criminosa e contas bancárias das esposas dos líderes do tráfico.
Com base nas informações coletadas e nas provas obtidas, a Polícia Civil solicitou a prisão do advogado, que foi autorizada pelo judiciário. A prisão foi realizada na manhã de hoje, com a supervisão da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Durante a operação, também foram realizadas buscas que resultaram na apreensão de R$ 8,1 mil em dinheiro, cuja origem não foi comprovada.
O advogado foi direcionado ao sistema penitenciário, onde aguardará as próximas determinações legais.
Fonte:: policiacivil.pr.gov.br











