
Um projeto inovador do Governo do Paraná tem levado acesso à internet a comunidades que, até pouco tempo, estavam completamente excluídas do mapa digital. O Programa de Conectividade Rural, vencedor do Prêmio Espírito Público na categoria Gestão e Transformação Digital, tem como principal objetivo reduzir a exclusão digital em áreas remotas do estado, onde o investimento privado em telecomunicações era considerado inviável.
Com cerca de 98% do território paranaense em zona rural, um levantamento realizado em 2023 apontou a existência de aproximadamente 920 localidades sem qualquer acesso à telefonia ou internet, incluindo vilas, assentamentos, comunidades quilombolas e pequenos povoados. A falta de conectividade afetava diretamente o cotidiano da população: agricultores tinham dificuldade para acessar crédito, estudantes percorriam longas distâncias em busca de sinal e famílias ficavam isoladas do contato com parentes que vivem nas cidades.
Criado em 2023, o programa rapidamente se consolidou como política pública estadual. Em apenas um ano, a cobertura de internet em áreas rurais passou de 51,45% para 61,17%, beneficiando diretamente mais de 300 mil pessoas.
Atualmente, a iniciativa envolve 17 órgãos do governo estadual e utiliza ferramentas modernas de gestão, como Business Intelligence (BI), Análise Hierárquica de Processos (AHP) e design thinking, para priorizar regiões com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e alta vulnerabilidade social.
Segundo o coordenador de Políticas Públicas de Inovação do Paraná, o engenheiro agrônomo Julio Cesar de Oliveira, o acesso à internet deixou de ser um diferencial. “Hoje, a internet é como água e oxigênio: é vida, é um direito. Levamos conectividade com o objetivo de garantir cidadania”, afirma.
ICMS convertido em conectividade
A principal inovação do programa está no modelo de financiamento. Em vez de utilizar recursos diretos do orçamento estadual, o Paraná criou um regime especial que permite a compensação do ICMS para estimular investimentos privados. Na prática, créditos de impostos são convertidos em infraestrutura de telecomunicações.
O modelo atraiu grandes operadoras. A TIM se comprometeu a instalar 116 torres, a Claro 382 e a Vivo outras 411, totalizando quase 900 novas torres até 2027, sem custo direto para o Tesouro Estadual. Cerca de 500 estruturas já estão em operação.
Júlio define a estratégia como uma “corrida do bem”. “Essa competição saudável acelera a instalação das torres. Quem ganha é o cidadão do campo”, destaca.
Impacto econômico e modelo nacional
Além dos ganhos sociais, o impacto econômico também é expressivo. Estudos do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) indicam que os acordos firmados com a TIM e a Claro podem gerar cerca de R$ 2 bilhões em retorno econômico, aproximadamente 40 mil empregos e uma arrecadação estimada de R$ 213 milhões em ICMS.
Com a meta de conectar todas as localidades rurais do Paraná até 2026, o projeto já chama a atenção de outros estados, como Espírito Santo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Tocantins e Piauí, que demonstraram interesse em replicar o modelo.
“Cada torre que se ergue representa dignidade, igualdade e oportunidade. Internet no campo não é luxo, é necessidade”, resume o coordenador do programa.









