
A Penitenciária Estadual de Francisco Beltrão (PEFB) participou da IV Mostra Criativa de Psicologia e Direitos Humanos, um evento que integrou a semana acadêmica do curso de Psicologia da Universidade Paranaense (UNIPAR), realizado na quarta-feira (20). A mostra incluiu trabalhos artísticos desenvolvidos por pessoas privadas de liberdade (PPL) atualmente sob custódia na unidade. Esta iniciativa foi realizada em colaboração com o Centro de Educação de Jovens e Adultos (CEEBJA) Novos Horizontes, a Vara de Execuções Penais e o Conselho da Comunidade.
Marcos Andrade, coordenador regional da Polícia Penal (PPPR) em Francisco Beltrão, destacou a importância desses momentos: “Eventos como este consolidam e fortalecem a conexão necessária entre a Polícia Penal, o ambiente acadêmico e a sociedade local. Ao ampliar os espaços de diálogo e de sensibilização, a atividade contribui para a formação de novos olhares e perspectivas sobre a população carcerária”.
Durante a mostra, o público teve a oportunidade de conferir a exposição “Professora Nair Salmoria dos Santos”, que foi apresentada por integrantes do projeto de extensão universitária intitulado “(Re)Tornar: Construindo sentidos para a liberdade”. Este projeto oferece atendimentos psicológicos individualizados aos apenados, focando no combate à reincidência criminal. As produções artísticas apresentadas foram criadas no contexto de privação de liberdade, proporcionando reflexões sobre educação, reintegração social e direitos humanos.
Outra exposição que chamou a atenção foi a do “Projeto Ressignificar de Justiça Restaurativa – Justiça Restaurativa em Movimento”. Esta iniciativa é implementada no sistema de execução penal da comarca de Francisco Beltrão e conta com o apoio do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJPR) e da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). Seu principal objetivo é promover a reintegração social e fortalecer vínculos através de práticas restaurativas.
Vanessa Nunes dos Santos, psicóloga do Conselho da Comunidade, abordou a importância da arte nesse contexto: “Trabalhar com expressões artísticas representa um processo humanizado e coletivo, o que fortalece o entendimento sobre a reintegração social por meio da arte, da cultura e da educação”.
A diretora do CEEBJA Novos Horizontes, Karen Oro Niehues, também ressaltou o impacto positivo das ações externas no ambiente educacional prisional. “A participação em eventos como a mostra criativa promovida pela UNIPAR ajuda a solidificar a compreensão de que a educação tem o poder de transformar vidas, quebrar estigmas e aproximar a comunidade das práticas realizadas nas escolas. Levar os trabalhos desenvolvidos no ambiente escolar para a sociedade é uma forma de dar visibilidade às aprendizagens, histórias e potenciais que são construídos diariamente”.
Ela complementou enfatizando que a escolarização no ambiente prisional desempenha um papel fundamental na ressocialização dos detentos, possibilitando novos caminhos, acesso a oportunidades frequentemente negadas e a reconstrução de projetos de vida baseados na dignidade, no conhecimento e na esperança.
Iasmin Fideli de Paula, aluna do 5º semestre de Psicologia e voluntária do Projeto (Re)Tornar, falou sobre a relevância da mostra para a comunidade acadêmica e a sociedade em geral. “O objetivo é mostrar à comunidade o potencial transformador da educação no sistema prisional”, afirmou ela. “O papel da educação é realmente transformador para quem está privado de liberdade, pois proporciona uma reinserção na sociedade de maneira mais adequada e positiva”.
Fonte:: policiapenal.pr.gov.br




