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Marcha das mulheres negras em São Paulo relembra caso Luana Barbosa

A 11ª Marcha das Mulheres Negras de São Paulo, realizada na tarde de um sábado na Praça Roosevelt, na região central da capital paulista, foi marcada por fortes protestos e pelo pedido de justiça diante de um caso que completa uma década sem resolução. O assassinato de Luana Barbosa, mulher lésbica, negra e periférica, segue sem nenhum envolvido preso ou condenado dez anos após o ocorrido.

O ato reuniu centenas de participantes, incluindo pessoas vindas de municípios vizinhos e de diferentes bairros da capital, além de lideranças políticas, feministas, religiosas, artistas e representantes de movimentos sociais voltados para a comunidade negra.

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Durante a manifestação, Juliana Gonçalves, membro e cofundadora do evento, ressaltou que a violência contra essa parcela da população continua presente. “Dez anos se passaram e muitas Luanas Barbosas seguem morrendo, como a gente viu o caso da Ieda e da Fabiana, duas mulheres negras e lésbicas que foram mortas em São Paulo”, declarou.

Luana Barbosa foi abordada e sofreu agressões por parte de policiais militares em abril de 2016, na rua onde residia. Para a cofundadora da marcha, a população negra ainda sofre com o descaso estatal. “A gente toma as ruas por direitos, reparação e bem viver, reparação porque o Estado brasileiro nos deve, porque as mulheres negras levantam essa economia, fazem o trabalho de cuidado que não é reconhecido e mesmo assim são as que menos ganham”, pontuou.

São Paulo (SP)-25/07/2026 . 10a Marcha das Mulheres Negras de SP.   “Há 10 anos por Luana Barbosa e por todas nós! Por direitos, reparação e Bem Viver! Mulheres negras nas ruas e nas urnas!”, esse é o lema deste ano.
Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

A programação de abertura contou com uma apresentação artística do coletivo Bando das Macuas, que trouxe performances voltadas à ancestralidade. Francine Moura, integrante do grupo composto por sete mulheres, explicou a proposta: “Nosso trabalho é em cima do corpo e nossa fonte de inspiração é o povo Macuas, presente no norte de Moçambique. Essa apresentação de hoje foi inspirada no espetáculo que esteve em cartaz em 2024 e 2025 chamado ‘Anunciação’, onde representamos figuras ancestrais reverenciando as mulheres que estão aqui unidas em marcha”.

O som do ato ficou a cargo de duas DJs que se revezaram nas pick-ups no palco central, tocando faixas de rap e hip hop com forte teor de protesto. O evento também abriu espaço para mulheres negras ligadas a religiões de matriz africana expressarem suas demandas e preocupações.

De acordo com Ìyalóde Marisa de Oya, a realidade enfrentada por esses grupos evidencia a falta de amparo institucional. “Esse é um país que a gente ajudou a construir. Precisamos mostrar que esse povo está aí largado, sofrendo violência, apanhando, que não tem um lugar de fala dentro do governo. Não se tem algo firme que possa garantir segurança para nós e nossos filhos. Tem muita gente apanhando por causa da cor da pele, porque é de candomblé, porque é de umbanda. Então, você vê que esse país não é assim tão laico como se fala que é”, afirmou.

O ato em São Paulo também contou com a presença de lideranças da Rede de Mulheres Negras Evangélicas, coletivo atuante desde 2018. Além da capital paulista, a mobilização nacional ocorreu em outras regiões do país, com uma caminhada realizada em Salvador (BA) e um encontro promovido no Recife (PE).

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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