Economia

Desigualdade salarial e o mercado de trabalho para pessoas com deficiência no Brasil

Novos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com base no Censo 2022 revelam um cenário persistente de desigualdade econômica no país. O rendimento médio habitual do trabalhador com deficiência, que ficou em R$ 2.053, equivale a cerca de 70% da média recebida por pessoas sem deficiência, estimada em R$ 2.890.

A discrepância salarial reflete-se de maneira transversal em diferentes setores da economia. Conforme aponta o pesquisador do IBGE João Hallak Neto, a disparidade ocorre em absolutamente todos os grupos de atividades econômicas analisados. Além de receberem remunerações inferiores nas mesmas funções, os trabalhadores com deficiência encontram-se predominantemente concentrados em setores historicamente associados a menores pagamentos, como serviços domésticos, atividades agropecuárias, alojamento e alimentação.

Por outro lado, o segmento que engloba a administração pública, a educação, a saúde humana e os serviços sociais destaca-se por apresentar os melhores rendimentos médios para essa parcela da população. Nesse setor específico, as pessoas com deficiência recebem, em média, R$ 3.223 mensais, o que representa aproximadamente 78% do montante pago aos trabalhadores sem deficiência na mesma área, fixado em R$ 4.146.

Composição da renda nos domicílios

A pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também analisou o impacto dessa realidade financeira na estrutura dos lares brasileiros. Em residências que contam com pelo menos um morador com deficiência, os ganhos oriundos do trabalho correspondem a 55,7% do rendimento médio total da unidade familiar, enquanto os 44,3% restantes provêm de outras fontes de receita.

O panorama modifica-se de forma considerável nos lares onde não há pessoas com deficiência. Nesses domicílios, a renda gerada pelo trabalho responde por uma parcela muito maior do orçamento, atingindo 78,4%, ao passo que as demais fontes de recursos representam apenas 21,6% do total.

Nível de ocupação e barreiras no mercado

No que tange à inserção no mercado de trabalho, os dados do Censo 2022 demonstram uma diferença expressiva. O nível de ocupação entre as pessoas com deficiência atingiu a marca de 29%, indicando que apenas cerca de três em cada dez indivíduos em idade de trabalhar exerciam alguma atividade remunerada. Em contrapartida, o índice de ocupação da população sem deficiência foi de 55,8%, quase o dobro do registrado para o grupo com deficiência.

O levantamento populacional dimensionou que o universo de pessoas em idade de trabalho com algum tipo de deficiência alcançava 13,71 milhões no período da pesquisa, sendo que 3,97 milhões encontravam-se efetivamente ocupadas.

Quando o recorte é feito por tipo de impedimento, percebe-se que as dificuldades associadas a funções mentais registram o menor nível de ocupação, com apenas 12,9%. Situação semelhante foi identificada entre aqueles que enfrentam barreiras severas para caminhar ou subir degraus (17,2%) e para manusear objetos pequenos (17,7%). Indivíduos que acumulam múltiplas dificuldades apresentaram um índice de ocupação de 15,6%.

Em contrapartida, os grupos que obtiveram maior inserção no mercado de trabalho foram as pessoas com deficiência visual ou dificuldade de enxergar (35,9%) e aquelas com limitações auditivas ou dificuldade de ouvir (27,5%).

Recorte por gênero, cor e raça

O estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aprofundou a análise sobre a ocupação cruzando variáveis de sexo, cor e raça. Entre a população com deficiência, os homens e mulheres pretos ou pardos registraram níveis de ocupação superiores aos observados entre os brancos.

Entre os homens com deficiência, os pretos e pardos alcançaram 36% de ocupação, enquanto os brancos atingiram 34,6%. No público feminino com deficiência, o cenário repete-se: as mulheres pretas ou pardas registraram 25,6%, superando as mulheres brancas, que ficaram com 22,7%.

Os pesquisadores ressaltam que essa tendência demográfica inverte-se quando observada a população sem deficiência, faixa em que o nível de ocupação costuma ser ligeiramente superior entre os trabalhadores brancos, evidenciando as complexas dinâmicas sociais que permeiam o mercado de trabalho brasileiro.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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