
Representantes do Consórcio Nordeste, grupo que reúne os nove estados da região, encontram-se em Ulaanbaatar, na Mongólia, com o objetivo principal de captar recursos financeiros voltados a projetos estratégicos de segurança hídrica, transição energética e restauração ecológica do bioma Caatinga.
A comitiva nordestina cumpre uma agenda intensa de eventos, encontros estratégicos e negociações diretas com organismos financeiros internacionais e bancos multilaterais durante os dias finais da 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17).
Na segunda-feira (24), o Consórcio integrou os debates de um painel oficial realizado no Pavilhão Brasil, localizado na área oficial do evento global. A mesa contou com a participação de representantes do Banco Mundial e do Mecanismo Global das Nações Unidas. Além deles, instituições financeiras nacionais de peso, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Banco do Brasil e o Banco do Nordeste, também se juntaram à iniciativa para fortalecer o diálogo com parceiros internacionais.
Para a programação de terça-feira (25), o grupo planeja apresentar o conceito de recaatingamento como uma estratégia integrada fundamental. O método une restauração ecológica, adaptação climática e fomento ao desenvolvimento territorial sustentável. Trata-se de uma abordagem voltada para a convivência com o semiárido brasileiro, que valoriza o conhecimento tradicional e a participação ativa das populações locais na recuperação de áreas degradadas e na preservação da rica biodiversidade do bioma exclusivo.
Plano Nordeste e Fundo Caatinga
Outra iniciativa regional de destaque que integra as negociações na Ásia é o Plano Brasil Nordeste de Transformação Ecológica (PTE-NE). O instrumento articula pautas fundamentais como proteção ambiental, competitividade econômica, inclusão social, inovação tecnológica e o fortalecimento institucional dos estados envolvidos.
As frentes do plano que buscam ativamente captação de recursos no exterior concentram-se na adaptação severa aos períodos de seca. Isso inclui a expansão de infraestruturas descentralizadas, tais como a construção de cisternas, implantação de barragens subterrâneas, projetos de reuso de água e sistemas de dessalinização.
O Consórcio Nordeste também direciona esforços para atrair investimentos expressivos para o Fundo Caatinga. A ferramenta é vista pelos gestores públicos como um mecanismo indispensável para centralizar os recursos regionais, otimizando processos e reduzindo significativamente os custos de transação que normalmente recaem sobre cada projeto executado de forma isolada.
Durante as agendas bilaterais mantidas com o Banco Mundial, com o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA-ONU) e com o Novo Banco de Desenvolvimento, conhecido como o Banco do Brics, a delegação destaca três pilares principais que norteiam o direcionamento dos projetos.
O primeiro pilar prioriza a segurança hídrica tratada como infraestrutura essencial de adaptação climática. Esse eixo engloba iniciativas de dessalinização, poços solares, sistemas de reuso e conservação rigorosa de mananciais, apresentando tecnologias conhecidas, custos mensuráveis por beneficiário e forte alinhamento com as metas globais de neutralidade na degradação da terra.
O segundo pilar aborda a transição energética aliada à industrialização de baixo carbono. Como exemplos concretos, os representantes destacam os polos e centros de hidrogênio verde e de combustíveis renováveis que já se encontram estruturados em locais estratégicos como Pecém (CE), Suape (PE) e Santo Amaro das Brotas (SE).
Por fim, o terceiro eixo concentra-se na recuperação de terras e no fortalecimento da bioeconomia da Caatinga. Essa frente baseia-se na prática do recaatingamento, na implantação de viveiros florestais de grande porte e no apoio direto às cadeias produtivas ligadas à agricultura familiar da região.
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br










