
O Programa Move Brasil, criado para facilitar o acesso a financiamentos por taxistas e motoristas de aplicativo, poderá passar por reformulações para atrair um número maior de participantes, conforme informou nesta quarta-feira (19) o ministro interino ou representante da pasta, Dario Durigan. De acordo com o ministério, a equipe econômica estuda alternativas para ampliar o engajamento de instituições financeiras privadas na iniciativa.
“Existem alterações que podem ser feitas, não só do ponto de vista legal do programa, mas alterações que podem ser feitas com os bancos, na integração com as plataformas para receber informação sobre a renda das pessoas. Então, estão ainda para avaliação”, declarou Durigan, após cumprir agenda de reuniões com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros ministros no Palácio da Alvorada, em Brasília.
No mesmo encontro de trabalho, a gestão federal fez um panorama geral sobre diversas linhas de crédito em andamento, além de debater estratégias voltadas ao comércio exterior e à condução da resposta do país frente às tarifas adotadas pelos Estados Unidos.
Desempenho e adesão abaixo do esperado
Lançado oficialmente em julho, o Move Brasil disponibiliza opções de crédito com taxas de juros reduzidas voltadas à aquisição de automóveis utilizados na prestação de serviços de transporte. O escopo da iniciativa contempla tanto veículos novos avaliados em até R$ 150 mil quanto modelos seminovos, motocicletas e bicicletas.
Segundo o balanço apresentado por Durigan, os bancos estatais — com destaque para o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal — assumiram o protagonismo na oferta das linhas, enquanto o setor privado tem demonstrado cautela e menor interesse em integrar o programa.
“O que a gente tem visto é uma participação maior dos bancos públicos, do Banco do Brasil e da Caixa, com menos apetite por parte dos bancos privados. Nós estamos sempre em contato para entender por que, mesmo com a garantia do governo, não tem tido a adesão que a gente inicialmente esperava”, explicou o ministro.
Apesar de o ritmo inicial estar abaixo das expectativas traçadas pela equipe econômica, a pasta avalia que o volume total de operações geradas até o momento ainda se mantém em um patamar considerado razoável.
“Ainda que a gente não tenha um grande resultado como se esperava, nós estamos conseguindo avançar e acho que é razoavelmente satisfatório, com a gente podendo ainda seguir em conversas e melhorar as condições”, complementou.
Novas diretrizes e integração de dados
Para contornar a baixa procura nos canais privados, o governo planeja alinhar novos testes e ajustes operacionais com os bancos. O objetivo principal é verificar se as alterações regulatórias e tecnológicas conseguem impulsionar o volume de crédito concedido.
Uma das principais frentes em estudo envolve o aprimoramento da troca de dados entre os aplicativos de transporte e as instituições financeiras, simplificando a comprovação de renda para os trabalhadores autônomos que desejam renovar ou adquirir sua frota de trabalho.
Enquanto o segmento voltado a automóveis busca tração, o governo avalia que o saldo geral de outras frentes de crédito recentes segue dentro de parâmetros positivos.
Outros temas da pauta econômica
Durante a reunião ministerial na capital federal, a pauta também incluiu a avaliação de fomento a outros setores produtivos. Foram discutidas medidas de financiamento específicas para frotas de caminhões e ônibus, linhas voltadas para motocicletas, os reflexos do programa Desenrola e ações de suporte corporativo e trabalhista.
Diálogo internacional e Lei de Reciprocidade
No âmbito externo, Durigan comentou os desdobramentos comerciais com os Estados Unidos e garantiu que o avanço nos trâmites da Lei de Reciprocidade Econômica não deve criar barreiras para as tratativas diplomáticas entre os dois países.
Recentemente, o governo brasileiro iniciou o processo formal para examinar possíveis contramedidas após o governo norte-americano impor uma sobretaxa de 37,5% a mercadorias exportadas pelo Brasil.
Apesar da abertura do processo, o ministro reforçou que o canal de negociação com Washington continua aberto e que o Executivo brasileiro busca uma solução negociada.
“A disposição por negociação é completa do nosso lado, toda oportunidade que nós temos, nós temos feito esse gesto de falar, o próprio presidente Lula disse que falaria com o presidente [dos EUA, Donald] Trump e estamos sempre muito prontos”, pontuou.
Para a equipe econômica, a instauração do mecanismo de reciprocidade serve como ferramenta de equilíbrio e não como um fator de ruptura. “Não vai atrapalhar, pode ajudar, até porque nós vamos fazer um processo de reciprocidade com cautela, ouvindo os setores afetados”, garantiu o ministro.
Próximos passos da análise comercial
A abertura do procedimento administrativo não resulta em taxações imediatas a produtos dos Estados Unidos. Nesta fase inicial, o foco recae sobre consultas técnicas, coleta de subsídios com os segmentos produtivos locais e a mensuração exata dos impactos comerciais gerados pelas barreiras tarifárias estrangeiras.
A medida está fundamentada na Lei 15.122/2025, a Lei da Reciprocidade Econômica, que autoriza o país a responder de maneira proporcional a decisões unilaterais de nações estrangeiras que causem prejuízos ao comércio exterior brasileiro.
Paralelamente, o governo estuda alternativas de proteção aos setores exportadores impactados, como a possível ampliação do regime de drawback — mecanismo que desonera tributos sobre insumos importados para a fabricação de produtos destinados ao mercado internacional —, integrando o pacote de ações do plano Brasil Soberano.
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br










