
Não são poucos os familiares que têm se visto numa situação muito delicada: como recusar um convite de uma visita, jantar ou outro evento quando envolve as pessoas que mais gostamos? A dificuldade de dizer ‘não’ para essas atividades, para não parecer ‘chato’ ou ‘antissocial’, pode colocar as pessoas em risco de saúde durante a pandemia. Muitos podem ceder à pressão com medo de os familiares entenderem a recusa como uma rejeição a eles, não como um cuidado à saúde de todos.
Com a proximidade das festas de fim de ano, essa pressão social pode ser ainda maior. É comprovado, por exemplo, que idosos estão entre os grupos mais vulneráveis a complicações da Covid-19. Mas a pressão social pode colocar esses idosos sob risco de infecção por conta dos próprios parentes. Uma única pessoa infectada em um evento familiar pode transmitir o novo coronavírus para muitas pessoas. O vírus não escolhe pessoa ou evento. A pessoa que transmite pode não apresentar sintomas.
SINCERIDADE – Quem ainda não compreendeu os riscos da Covid-19 pode achar absurdo, por exemplo, uma avó preferir, neste momento, não receber visitas dos netos ou de ocorrer a ausência de vários familiares na ceia de Natal, que sempre reuniu toda a família. Mas a recomendação é que as pessoas que estão se cuidando sejam sinceras com seus familiares. É preciso deixar claro a todos que seguir as recomendações médicas é uma decisão consciente. Não receber visitas ou participar de eventos não se trata de dificuldades no relacionamento com qualquer pessoa da família. Haverá quem não queira entender a decisão de não se expor em eventos familiares. Mas para respeitar não é preciso concordar.
A preocupação com a saúde dos familiares envolve, neste momento, ficar distante de pessoas que não fazem parte do círculo domiciliar. Distanciamento não é e não pode ser interpretado como abandono, mas como direito de se cuidar e, acima de tudo, de cuidar do outro.
SCMS Araucária









