Economia

Entidades produtivas avaliam que recente corte na taxa selic ainda é insuficiente

O quarto corte consecutivo na Taxa Selic, definido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), foi recebido com ressalvas por diferentes setores da economia brasileira. Embora o movimento tenha sido visto como um passo na direção correta, diversas entidades avaliam que o patamar atual ainda é restritivo e insuficiente para garantir uma expansão sólida e duradoura da indústria e da atividade produtiva no país.

Em manifestação oficial, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) pontuou que a manutenção da trajetória de queda representa um sinal favorável para o ambiente de negócios. Contudo, a organização alertou que o custo do dinheiro permanece em níveis elevados, o que encarece o crédito e acaba postergando decisões cruciais de investimentos por parte dos empresários.

Para a entidade fluminense, o custo elevado do capital prejudica a modernização do parque fabril brasileiro, limitando severamente a competitividade das empresas tanto no mercado interno quanto nas exportações. Esse cenário de restrição financeira tem se refletido diretamente nos indicadores setoriais, a exemplo do desempenho da indústria de transformação, que registrou um crescimento de apenas 0,4% ao longo do primeiro semestre do ano, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na mesma linha de argumentação, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) chamou a atenção para o fato de que os juros básicos encontram-se em patamar restritivo há 55 meses. A confederação destacou que a taxa Selic atual está 3,6 pontos percentuais acima do patamar calculado com base na Regra de Taylor, estimada em 10,4%. O parâmetro técnico serve para dimensionar uma taxa de juros capaz de assegurar o controle da inflação sem sufocar o ritmo de crescimento econômico.

“A taxa de juros real, aproximadamente de 10%, supera com folga a taxa de equilíbrio estimada pelo próprio Banco Central, de 5%, indicando que há espaço para cortes mais expressivos na Selic, sem prejuízos no combate à inflação”, argumentou a CNI.

O descontentamento também se fez presente entre as centrais sindicais. A Força Sindical classificou o recuo de 0,25 ponto percentual como tímido frente às necessidades prementes da economia nacional. Na visão da representação dos trabalhadores, a manutenção de juros altos encarece o financiamento para o consumo, deprime novos aportes produtivos e acaba por comprometer a criação de postos de trabalho.

“Perdemos uma excelente oportunidade de promover uma redução drástica da taxa de juros, dar uma injeção de ânimo no setor produtivo e alavancar mais a economia”, criticou a organização por meio de nota oficial.

Perspectivas e cautela do mercado

Analisando os desdobramentos da decisão monetária, o gestor de portfólio da Oby Capital, Camilo Cavalcanti, avaliou que o colegiado do Banco Central preservou a diretriz de que a intensidade total do ciclo de afrouxamento monetário dependerá estritamente da chegada de novos dados econômicos, sem assumir compromissos antecipados, mantendo um balanço de riscos assimétrico para cima.

“No fechamento do comunicado, o Copom passou a citar explicitamente a desancoragem das expectativas e os riscos elevados em torno do cenário-base como justificativa para ‘serenidade e cautela’ na condução da política monetária. Diante desse contraste entre um cenário corrente mais favorável e uma comunicação prospectiva ainda cautelosa, avaliamos que o Copom ainda mantém aberta a possibilidade de continuidade do ciclo de cortes de juros na próxima reunião, mas ressalta os argumentos para uma pausa”, observou Cavalcanti.

O contexto da decisão do Copom

O Comitê de Política Monetária reduziu em 0,25 ponto percentual a Taxa Selic, principal instrumento de controle de juros da economia brasileira, fazendo com que o índice básico passasse de 14,25% para 14% ao ano. Esta marca o quarto corte consecutivo implementado pelo comitê, em deliberação ocorrida na sede da autoridade monetária, em Brasília.

De acordo com a instituição financeira central, o ajuste gradual promovido é plenamente compatível com o objetivo central de garantir a convergência da inflação em direção à meta estabelecida para o horizonte relevante. No que tange ao ambiente internacional, o Banco Central voltou a enfatizar as incertezas persistentes decorrentes dos conflitos armados no Oriente Médio e as dúvidas que cercam a condução da política monetária em importantes economias avançadas.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

Leia também

Deixe um comentário

Botão Voltar ao topo

Notamos que você possui um
ad-blocker ativo!

Produzir um conteúdo de qualidade exige recursos. A publicidade é uma fonte importante de financiamento do nosso conteúdo. Para continuar navegando, por favor desabilite seu bloqueador de anúncios.