Cultura

Exposição interativa em São Paulo celebra os 90 anos do cantor Tom Zé

Para celebrar os 90 anos de vida do cantor e compositor baiano Tom Zé, a Caixa Cultural de São Paulo preparou uma exposição sensorial e interativa que convida o público a percorrer a trajetória, as referências e as invenções do artista.

“Ah, eu fiquei criança”, brincou Tom Zé ao visitar a exposição na noite de uma terça-feira, no centro da capital paulista. “Eu fiquei criança de alegria, Deus seja louvado. E abençoado seja quem tomou todo esse tempo de trabalho, com cada detalhe e cada coisa funcionando”, disse o artista, que completa nove décadas de vida.

Chamada de Tom Zé – 90 Anos do Inquieto Jardineiro de Sons, a mostra reúne memórias, músicas e elementos que ajudam a contar um pouco sobre a vida e a obra do cantor e compositor, que nasceu na cidade de Irará, na Bahia, no dia 11 de outubro de 1936.

“Esta não é uma exposição apenas para você olhar, mas para você vivenciar também. Então, você tem vários ambientes que fazem referência a momentos da vida do Tom Zé”, destacou a curadora da exposição, Neuseli Martins.

São Paulo (SP) - Caixa Cultural celebra os 90 Anos de Tom Zé com exposição interativa.

A trajetória e os ambientes da mostra

A exposição tem início em um espaço dedicado às lembranças e referências musicais e literárias que contribuíram para a formação do repertório musical de Tom Zé. O percurso também conta com áreas que relembram a vitória do artista no 4º Festival de Música Popular Brasileira, em 1968, com a canção São Paulo, Meu Amor, além de ambientes com registros de shows e um quiz sobre a trajetória do homenageado.

“A gente tem um ambiente que é a casa dele, outro dedicado aos festivais aqui em São Paulo e, depois, a gente tem um outro ambiente que é um momento em que ele começa a criar os instrumentos e trazer muitas diferentes alternativas para a música, porque ele achava que tinha mais coisa para ser explorada, não somente aquilo que ele já ouvia. Ele queria novos sons”, explicou a curadora.

Os visitantes da exposição poderão ainda tocar uma réplica do buzinório, instrumento musical criado por Tom Zé, e escrever mensagens direcionadas ao músico.

Réplica do buzinório, instrumento musical criado por Tom Zé.

Um dos primeiros visitantes da mostra foi o músico e instrumentista Jarbas Mariz, que integrou a banda de Tom Zé por 32 anos. Em depoimento, Jarbas contou que conheceu Tom Zé em 1988, apresentado por um amigo em comum.

“O Tom Zé chegou assim: ‘Ah, meu querido’, como se já me conhecesse há um tempo”, disse. “Ele chegou e disse: ‘Você topa ceder dois anos e meio da sua carreira para trabalhar comigo?’. Eu digo: ‘Claro’. E aí esses dois anos e meio viraram 32.”

O instrumentista relatou que, durante todo esse período, aprendeu diversas lições com o compositor, desde a avaliação da qualidade dinâmica da música popular até o uso de materiais não convencionais, além da rigidez com a pontualidade.

“Tom Zé é assim, ele marca um horário para ensaiar às 9h. Mas, se você chegar às 9h, está atrasado”, brincou. “Então tem muita coisa que a gente aprende [com ele] como a trabalhar com instrumentos não convencionais. Aprendi muito com ele como pegar qualquer instrumento e transformar aquilo ali em som e colocar na sua música também.”

Jarbas atuou como um parceiro fundamental na elaboração dos arranjos das composições. “O Tom Zé, você sabe como ele é, ele é muito criativo. Ele geralmente bola o esquema em casa com as coisas e daí a gente chega, junta e dá umas opiniões e tal. E aí a gente fecha os arranjos e tudo, mas a primeira cabeça é a dele”, pontuou.

Tom Zé visita exposição em homenagem aos seus 90 anos na Caixa Cultural São Paulo.

Legado e renovação constante

A carreira de Tom Zé é amplamente marcada pela experimentação e pela busca incessante por inovação. Ele foi um dos principais nomes do tropicalismo, movimento cultural vanguardista que promoveu forte contestação política e ressignificou a cultura brasileira nas décadas passadas. Com projeção internacional consolidada, o artista também ocupa uma cadeira na Academia Paulista de Letras desde 2022.

Mesmo próximo de completar 90 anos, o músico mantém uma rotina ativa de criação e produção artística. “De manhã, faço práticas que têm a ver com todo o funcionamento humano. E, enquanto eu fizer isso, eu vou estar vivo, se Deus quiser”, afirmou o cantor. “Então, eu estou a fim de chegar aos 100”.

Para a equipe curatorial, a figura de Tom Zé transcende a música, servindo como uma fonte de estímulo para diferentes gerações.

Exposição comemora os 90 anos de Tom Zé na Caixa Cultural São Paulo.

“Ele inspira pessoas dos 10 aos 100 anos. Estamos vendo ele ainda em atividade, criando, gravando e principalmente dialogando com várias gerações. Eu acho isso uma característica muito incrível. Ele é uma pessoa que está sempre buscando descobrir alguma coisa nova ou ver as coisas de uma forma diferente. Então, isso é uma inspiração para nós e é uma honra poder fazer essa homenagem”, destacou a curadora.

A exposição tem entrada gratuita e permanece em cartaz até o dia 13 de dezembro na Caixa Cultural São Paulo, situada na Praça da Sé, no centro da capital paulista. Outras informações sobre horários e visitação podem ser conferidas diretamente neste link ou nos canais oficiais da instituição.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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