Cultura

Exposição no Rio de Janeiro celebra a resistência e a história da Pequena África

O Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (Muhcab), situado na zona portuária do Rio de Janeiro, inaugurou a exposição Território Inventivo Pequena África. A mostra cultural destaca a importância histórica da região do Cais do Valongo, que foi redescoberto há aproximadamente 15 anos durante intervenções urbanísticas na área.

O percurso expositivo convide os visitantes a mergulharem na trajetória de um local profundamente marcado pela chegada de africanos escravizados, mas que também se consolidou como um polo de resistência, de intensa produção cultural e de forte influência na formação da identidade brasileira.

A chamada Pequena África abriga marcos fundamentais para a memória da população negra no país. Entre os locais de grande relevância histórica presentes na região estão a Pedra do Sal, o Cemitério dos Pretos Novos e o próprio Cais do Valongo. Estima-se que mais de 1 milhão de africanos escravizados desembarcaram por este cais entre os séculos 18 e 19.

Redescoberto em 2011 em meio às obras de revitalização portuária da capital fluminense, o Cais do Valongo recebeu o título de Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no ano de 2017, consolidando sua importância universal para a história da humanidade.

Instalada de forma permanente nas dependências do Muhcab, a exposição propõe aos frequentadores uma travessia simbólica e sensorial entre o continente africano e o Brasil. Logo nos primeiros passos da visitação, o público percorre um ambiente imersivo com sonoridades que remetem ao Oceano Atlântico, preparando o terreno para a imersão nos fatos históricos que moldaram a área.

De acordo com Nayla Rodrigues, coordenadora do Programa Educativo do museu, o objetivo central da iniciativa é expandir e aprofundar o entendimento sobre a trajetória da população negra no território brasileiro:

“Contar essa história através do Muhcab é contar não só a dor, mas contar a partir do protagonismo, das agências, das vozes que transformam essa história, que reconhecem esse passado dolorido, mas entendem as ressignificações que esses povos vêm fazendo ao longo do tempo”, pontua.

Para cumprir essa missão pedagógica e cultural, a mostra emprega recursos modernos que incluem maquetes detalhadas, mapas interativos, elementos de realidade aumentada e cenografias temáticas. Tais ferramentas auxiliam na reconstrução cronológica da Pequena África e homenageiam figuras históricas fundamentais para a cultura nacional.

O diretor do Muhcab, Fernando Zulu, ressalta que a integração de tecnologias inovadoras aproxima os visitantes do contexto territorial e de sua memória afetiva:

“A pessoa que viveu aqui vai encontrar maquetes que falam do próprio território da Pequena África, do Cais do Valongo, do Museu do Amanhã, do MAR [Museu de Arte do Rio]. É uma exposição muito encantadora. Também vão ver nossos heróis nacionais, como Conceição Evaristo e João Cândido”, declara.

Além das maquetes físicas e dos painéis digitais explicativos, a exposição conta com espelhos interativos e projeções em realidade aumentada. Essa tecnologia permite que o público interaja e conheça a biografia de personalidades ilustres como Tia Ciata, Machado de Assis, Pixinguinha, Conceição Evaristo e João Cândido, além de rastrear as rotas da diáspora africana por meio de plataformas multimídia.

A iniciativa tem atraído tanto moradores locais quanto turistas de diferentes partes do mundo. Daisi Sombra Aixa, carioca que reside há mais de vinte anos em Barcelona, aproveitou uma viagem ao Brasil para levar uma amiga espanhola ao espaço cultural. Para ela, a vivência na exposição contribui para consolidar uma perspectiva mais equilibrada da história afro-brasileira:

“É para a gente não esquecer a história, entender que ela teve muita dor, mas também muita resistência, muita força, muita luta e muita alegria. A gente precisa equilibrar esses polos e trazer também a autoestima e a história positiva de toda a comunidade afro-brasileira”.

O Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (Muhcab) está aberto à visitação pública de terça a domingo, no horário das 10h às 17h, com política de entrada gratuita para todos os públicos.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

Leia também

Deixe um comentário

Botão Voltar ao topo

Notamos que você possui um
ad-blocker ativo!

Produzir um conteúdo de qualidade exige recursos. A publicidade é uma fonte importante de financiamento do nosso conteúdo. Para continuar navegando, por favor desabilite seu bloqueador de anúncios.