
Há 17 edições, o Festival de Cinema Francês atua na aproximação de culturas e na ampliação do acesso do público brasileiro a produções que revelam diferentes perspectivas sobre o mundo. O evento exibe 21 filmes espalhados por mais de 50 cidades brasileiras, com programação que segue até o dia 11 de novembro.
Ao longo de sua trajetória, a iniciativa já reuniu aproximadamente 2,5 milhões de espectadores, consolidando-se como o principal evento do país focado exclusivamente na cinematografia francesa.
Nesta edição, as exibições ocupam cerca de 100 salas de cinema, contemplando gêneros variados como comédias, dramas, suspenses políticos, animações e documentários. Os valores dos ingressos variam conforme a praça de exibição.
Presente na curadoria desde a criação do evento, a francesa Emmanuelle Boudier reside no Brasil há 22 anos. Para ela, a exibição de produções estrangeiras funciona como um estímulo fundamental ao pensamento crítico, especialmente em um cenário em que a pluralidade de visões se mostra cada vez mais necessária. A curadora aponta que a iniciativa busca oferecer alternativas ao circuito comercial tradicional, frequentemente dominado por títulos norte-americanos.
“O cinema faz com que a gente abra a mente para coisas que não conhecemos”, destaca Emmanuelle.
Entre os destaques da programação está a obra De Gaulle: A França Livre, dirigida por Antonin Baudry. O longa retrata a decisão do general Charles de Gaulle de organizar a resistência francesa após a derrota do país para a Alemanha nazista em 1940. Na visão da curadora, o enredo dialoga diretamente com o contexto contemporâneo e transmite uma mensagem sobre a importância de defender os ideais democráticos e a liberdade.
Outro ponto forte é o thriller político Júpiter, dirigido por Alexandre Smia e exibido fora de competição no Festival de Veneza. A trama acompanha um presidente recém-eleito em meio a uma grave crise internacional capaz de desencadear um conflito nuclear. A exibição no Brasil ocorre antes mesmo da estreia oficial nos cinemas franceses, agendada para 18 de novembro.
A organização buscou manter um equilíbrio entre produções de tom mais reflexivo e obras focadas no entretenimento e na leveza.

Espaço para o humor e dramas
O setor de comédias traz O Beijo Elétrico (La Vénus électrique), filme de Pierre Salvadori que abriu o Festival de Cannes. Ambientada em Paris no ano de 1928, a comédia romântica acompanha o pintor Antoine Balestro, que perde a inspiração criativa após o falecimento da esposa e busca contatá-la por meio de uma vidente, sem saber que a sessão faz parte de uma farsa.
Outro destaque cômico é Bem-vindos à La Comédie-Française, dirigido por Martin Darondeau e Bertrand Usclat. O enredo aborda os desafios enfrentados por Nina, diretora que estreia em uma tradicional companhia teatral francesa e precisa contornar imprevistos técnicos e conflitos internos. O longa foi premiado no Festival Internacional de Cinema de Comédia de l’Alpe d’Huez e ultrapassou a marca de 900 mil espectadores na França.
Suspenses e produções premiadas
No segmento de suspense, O Fantasma da Ópera (Le Fantôme de l’Opéra), de Alexandre Castagnetti, leva o público para os bastidores do Palais Garnier, em Paris, em uma trama que une romance e mistério.
A seleção também contempla o curta-metragem Duas Pessoas Trocando Saliva (Deux personnes échangeant de la salive), assinado por Natalie Musteata e Alexandre Singh. A obra, vencedora do Oscar de melhor curta-metragem em live-action, retrata uma sociedade repressiva onde o ato de beijar é proibido sob pena de morte.
Fomento ao intercâmbio audiovisual
Além da exibição de filmes, o festival fomenta a troca de experiências entre os mercados cinematográficos do Brasil e da França por meio de um laboratório de desenvolvimento de roteiros. O programa promove mentorias e encontros entre profissionais dos dois países.
Emmanuelle Boudier relata que a edição atual recebeu mais de 150 inscrições de projetos, dos quais 15 foram selecionados. A iniciativa busca incentivar coproduções futuras e estreitar laços culturais.
Moradora do Rio de Janeiro há mais de duas décadas, a curadora reflete sobre como a vivência em terras brasileiras moldou sua trajetória pessoal e profissional, permitindo-lhe transitar com naturalidade entre diferentes identidades culturais.
>> Veja aqui a programação completa. <<
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br










