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Fundo monetário internacional reduz projeções de crescimento para a América Latina

O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para baixo as perspectivas de crescimento econômico para a América Latina e o Caribe, tanto para o ano corrente quanto para o próximo. O anúncio foi feito durante a divulgação do relatório Perspectiva Econômica Global, em Bangcoc, onde a instituição apontou que a maior parte das nações da região tem aproveitado de forma limitada o avanço global da inteligência artificial (IA). Essa tecnologia tem servido como amortecedor em outras partes do mundo para absorver os choques energéticos decorrentes dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio.

De acordo com as novas projeções, a expansão regional deve fechar este ano em 2,3%. O patamar marca uma desaceleração frente ao avanço de 2,5% registrado no ano anterior e fica abaixo da estimativa de 2,4% divulgada anteriormente em julho. Para o ano de 2027, a expectativa de crescimento também sofreu corte, passando de 2,7% para 2,5%.

As reavaliações negativas para a América Latina acontecem em contraste com o cenário global, visto que o Fundo elevou ligeiramente a previsão de crescimento mundial para este ano, de 3% para 3,1%. A resiliência da economia internacional — descrita pelo relatório como fragmentada — tem sido sustentada pelo redirecionamento de rotas de suprimento de energia e por aportes financeiros robustos voltados ao setor tecnológico e de inteligência artificial.

No entanto, a escalada dos conflitos no Oriente Médio provocou impactos diretos sobre o mercado energético, elevando o preço do petróleo Brent para patamares cerca de 45% superiores aos registrados antes das hostilidades. Esse choque inflacionário encareceu os combustíveis e a energia elétrica, pressionando o orçamento de famílias e empresas em várias partes do planeta e mantendo os custos de financiamento global em níveis historicamente elevados.

No contexto latino-americano, o FMI destacou que o impacto do encarecimento energético varia conforme a balança comercial de cada país, beneficiando momentaneamente exportadores de commodities enquanto penaliza os importadores líquidos de energia, além de depender da credibilidade das políticas monetárias adotadas pelos bancos centrais locais. A instituição pontuou ainda que o ímpeto gerado pela recuperação do setor tecnológico global tem gerado reflexos modestos na maior parte do subcontinente.

Desempenho das principais economias da região

Entre as três maiores economias da América Latina destacadas separadamente na atualização do relatório, a Argentina apresentou a revisão mais expressiva. O FMI projeta agora que a atividade econômica argentina desacelere para um crescimento de 2,1% neste ano, recuando fortemente em relação aos 4,5% do período anterior e ficando consideravelmente abaixo da estimativa de julho, que era de 3,5%. Para 2027, a projeção foi ajustada de 4% para 3,5%. Em contrapartida, o documento aponta uma trajetória de arrefecimento da inflação no país, estimada em 32,5% para este ano, abaixo dos 41,9% observados anteriormente.

No caso do Brasil, as previsões de crescimento foram reduzidas para 2,2% no ano corrente e para 1,9% em 2027, comparados aos patamares de 2,4% e 2,2% projetados em julho, quando o Fundo ainda enxergava maior resiliência na economia brasileira. A desaceleração prevista reflete a manutenção de taxas de juros em patamares restritivos — fundamentais para convergir a inflação para a meta —, a diminuição dos estímulos fiscais por parte do governo e um ambiente externo marcado por incertezas.

Em sentido contrários, o México registrou uma revisão positiva para o ano de 2026, com o crescimento esperado subindo de 1,2% para 1,5%. A melhora é atribuída ao desempenho das exportações, impulsionadas pela integração em cadeias de suprimento ligadas à inteligência artificial, e à estabilização dos investimentos. Apesar disso, o FMI reduziu a previsão mexicana para 2027 de 1,9% para 1,8%, reforçando que o comércio exterior e fatores externos continuam a impor limites à expansão da atividade produtiva.

Outros países da região também enfrentam cenários desafiadores. As tabelas do relatório indicam que o crescimento do Chile deve desacelerar de 2,5% para 0,6%, enquanto a economia da Bolívia deve registrar uma retração de 3,0%, aprofundando a queda de 1,6% do período prévio. Na Venezuela, a projeção aponta para uma aceleração inflacionária significativa, passando de 252% para 467,9%.

Riscos globais e estabilidade financeira

O FMI enfatizou que o balanço de riscos para a economia global e regional permanece inclinado para o lado negativo. A entidade alertou que eventuais episódios de volatilidade nos mercados financeiros internacionais podem reverberar de forma severa sobre os países emergentes, elevando os custos de captação para os governos, gerando pressões depreciativas sobre as moedas locais e estreitando as condições de crédito interno.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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