
A Oca Tururim, localizada na Aldeia Xandó, dentro do Território Indígena Barra Velha e na vila histórica de Caraíva, em Porto Seguro, na Bahia, vai sediar a quinta edição do Festival Caju de Leitores. O evento cultural e educacional está programado para ocorrer entre os dias 2 e 4 de setembro.
Criado em 2022, o festival tem como principal objetivo aprimorar as habilidades de leitura e de escrita dos estudantes indígenas da região. A iniciativa surgiu em resposta ao crescimento de instituições de ensino públicas e privadas instaladas na área desde o ano 2000, a exemplo da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA), no campus de Porto Seguro, e da Escola Técnica Estadual (Etec).
De acordo com a diretora-geral do evento, Joanna Savaglia, os jovens precisam dominar a redação e a interpretação de texto para superar os desafios de vestibulares e processos seletivos. A proposta é atuar em colaboração direta com as escolas locais para integrar as atividades pedagógicas ao cotidiano do território.
A gestora explica que a meta central é fornecer ferramentas para que os estudantes tenham autonomia sobre seus caminhos profissionais e acadêmicos. O evento busca preparar os alunos para que possam escolher suas próprias trajetórias, aplicando o domínio da língua portuguesa em benefício de suas comunidades e projetos de vida.

O domínio da escrita e da construção textual também reflete exigências de exames de larga escala, como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), ampliando as perspectivas educacionais dos participantes.
Manifesto de Bichos e saberes tradicionais
O tema escolhido para a edição deste ano é “Manifesto de Bichos”. A seleção temática sempre busca dialogar com elementos fundamentais para o cotidiano e a cosmovisão dos povos indígenas.
Como as discussões anteriores já abordaram o território, a flora e as árvores, a organização optou por direcionar o foco para a fauna local. Os animais integram a programação de forma abrangente, conectando-se diretamente com as narrativas, a ancestralidade, a língua e a natureza do povo Pataxó.
A programação reúne escritores, artistas, educadores, estudantes, pesquisadores e lideranças indígenas em uma série de atividades que englobam literatura, oralidade, artes e saberes tradicionais.
Formação comunitária e pedagógica
Com entrada gratuita e aberta a todas as faixas etárias, o evento atrai majoritariamente estudantes e moradores das comunidades indígenas. A dinâmica familiar é uma das marcas do encontro, reunindo avós, pais, filhos e jovens em um espaço coletivo de aprendizado.
Por meio de iniciativas como o projeto Vozes da Escola, o festival promove jornadas de formação em literatura indígena voltadas para os professores, em uma parceria institucional com a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB).
Durante os dias de evento, educadores transferem parte das atividades escolares para o interior da oca. A infraestrutura do festival garante suporte completo aos participantes, incluindo alimentação, áreas de convivência e espaços para acampamento na ampla extensão do Centro Cultural Indígena Pataxó da Aldeia Xandó Oca Tururim.
Atrações e homenagens
Pela primeira vez em sua história, o festival contará com a presença de uma autora estrangeira e sul-americana: a escritora indígena argentina Mariela Tulián, pertencente ao povo Tulián.
A grade de convidados brasileiros inclui nomes como Sairi Pataxó, escritor e liderança indígena; Lucia Tucuju, do povo Galibi-Marworno; a cordelista e contadora de histórias Auritha Tabajara; Vanessa Guarani Ratton, vencedora do Prêmio Jabuti 2023; e Apêtxienã Pataxó, professor e guardião da língua ancestral.
A homenageada desta edição é Maria Coruja, de 91 anos, moradora da Aldeia Pará, situada no Território Indígena Barra Velha. Ela é reconhecida por preservar e transmitir, por meio da oralidade, as tradições, cantigas e brincadeiras tradicionais Pataxó.
Novidades estruturais
Entre as inovações desta edição, o festival contará com uma livraria própria, além de loja oficial, praça de alimentação e espaços de exposição. A cerimônia de abertura está marcada para as 14h do dia 2 de setembro.
Desde a sua concepção inicial — quando era chamado de Caraíva Juvenil, sigla que deu origem ao nome Caju —, o evento já impactou mais de 12 mil pessoas. O termo “Caju” remete à fruta nativa e à palavra em tupi-guarani *acayu*, que significa “noz que se produz” e historicamente marcava a contagem do tempo para os povos originários.
O Festival Caju de Leitores é uma realização do Ministério da Cultura e da Savá Cultural, com patrocínio da Neoenergia e do Itaú via Lei Rouanet de Incentivo à Cultura, além do apoio da Prefeitura Municipal de Porto Seguro, por meio da Secretaria Municipal de Educação e da Superintendência de Cultura e Patrimônio Histórico.
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br










