Economia

Governo aumenta expectativa de inflação em 2022 de 6,5% para 7,9%

O Ministério da Economia elevou a expectativa de inflação deste ano de 6,55% para 7,9% e manteve a projeção para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) para 2022 em 1,5%.

As projeções do ministério divulgadas nesta quinta-feira (19) estão no Boletim Macrofiscal, atualizado bimestralmente pela SPE (Secretaria de Política Econômica). Os dados anteriores haviam sido anunciados pela pasta em março e são revisados periodicamente porque servem de referência para ajustar a execução orçamentária.

A taxa prevista de 7,9% para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) supera a meta a ser perseguida pelo Banco Central. O valor fixado pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) para este ano é de 3,5% –com 1,5 ponto percentual de tolerância para mais ou para menos.

Os valores do governo para inflação estão em linha com os números esperados pelo mercado. Mas o boletim Focus, que traz previsões feitas por analistas e reunidas pelo BC, está defasado. Devido à greve dos servidores da autarquia, a última pesquisa foi divulgada no dia 29 de abril. Nela, os economistas estimaram que o IPCA deve avançar 7,89% neste ano e 4,10% em 2023.

Para o próximo ano, a projeção de inflação do Ministério da Economia subiu de 3,25% para 3,60%. A percepção de piora do cenário inflacionário tem se difundido entre os analistas do mercado financeiro.

O Credit Suisse vê o IPCA subindo 9,8% neste ano, enquanto a XP Investimentos revisou sua projeção para 9,2%. Em um levantamento feito pela corretora, de 13 a 15 de maio, com 45 economistas e investidores, a mediana das estimativas indicava a inflação para 2022 em 8,80%.

O BC já admite alta probabilidade de novo estouro da meta de inflação. Se a projeção se confirmar, o presidente da autarquia, Roberto Campos Neto, deverá escrever uma nova carta ao ministro da Economia explicando as razões para o descumprimento do objetivo pelo segundo ano consecutivo. A inflação fechou 2021 em 10,06%.

A estimativa da pasta para o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) subiu de 6,7% para 8,1%. Esse índice é usado na correção do piso nacional do salário mínimo e de outros benefícios sociais. Sobre essa base de cálculo, o salário mínimo que hoje é de R$ 1.212 tende a ser corrigido em 2023 para R$ 1.310, caso não haja ganho real.

Já a projeção da SPE para o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) saltou de 10,01% para 11,40%. Esse índice tem uma abrangência maior para medir a alta dos preços, pois engloba também o setor atacadista e a construção civil.

Como resposta à inflação em alta, a escalada dos juros no Brasil já completa mais de um ano no Brasil. No dia 4 de maio, o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC elevou a taxa básica de juros (Selic) em 1 ponto percentual, passando de 11,75% para 12,75% ao ano. Para a próxima reunião, em junho, sinalizou uma provável alta adicional de juros de menor magnitude. Isso significa que o ciclo de aperto monetário ainda não terminou.

O aumento da Selic é um dos fatores que ajuda a frear a atividade econômica do País. Mas, apesar da inflação galopante e de uma política monetária em níveis restritivos, houve estabilidade na conta do governo para a expansão econômica em 2022.

Dada a defasagem da política monetária, os efeitos sobre a economia devem ser sentidos com mais força no próximo ano.

“A melhora no desempenho do PIB brasileiro tem ocorrido pela retomada no setor de serviços e ampliação dos investimentos, o que tem se refletido na robusta recuperação do mercado de trabalho”, diz o relatório.

Com o crescimento da atividade econômica nos últimos meses, a estimativa do mercado vem se aproximando do desempenho calculado pelo governo. De acordo com o último Focus divulgado, em abril, os economistas esperavam avanço do PIB em 0,70% neste ano.

Mas dado o hiato de publicações do BC, o número não reflete as atuais expectativas dos analistas. Segundo o levantamento da XP Investimentos, na última semana, a projeção mediana de crescimento é de 1,10% em 2022. A corretora, por sua vez, elevou suas estimativas e prevê alta de 1,6% para o PIB deste ano.

A IFI (Instituição Fiscal Independente) revisou para cima as suas projeções, esperando crescimento econômico de 1%, enquanto o Bank of America subiu em 1 ponto percentual seu prognóstico para a expansão da economia, a 1,5%.

O ministro Paulo Guedes (Economia) chegou a criticar os analistas do mercado financeiro pelo que considerava um “excesso de pessimismo” e tem repetido que o Brasil “está condenado a crescer”. Para ele, o mercado estava subestimando o potencial de crescimento do país em 2022.

De 2023 em diante, as estimativas do governo para o PIB permaneceram em 2,5%.

Banda B

Receba notícias no seu WhatsApp.

Leitores que se cadastrarem no serviço serão incluídos em uma lista de transmissão diária, recebendo no celular as principais notícias do dia.

Leia também

Deixe um comentário

Botão Voltar ao topo

Notamos que você possui um
ad-blocker ativo!

Produzir um conteúdo de qualidade exige recursos.
A publicidade é uma fonte importante de financiamento do nosso conteúdo.
Para continuar navegando, por favor desabilite seu bloqueador de anúncios.