Economia

Mercado financeiro reage com alta do dólar e queda expressiva na bolsa após eleições

O mercado financeiro brasileiro enfrentou uma sessão de volatilidade extrema nesta segunda-feira (26), refletindo diretamente os desdobramentos políticos decorrentes do pleito presidencial. A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, confirmada após uma disputa acirrada no segundo turno, surpreendeu parte dos agentes econômicos e provocou reações intensas nos principais ativos do país.

Como resultado imediato da nova configuração política, o dólar comercial registrou uma disparada expressiva de 8,21%, encerrando o dia cotado a R$ 5,403. Paralelamente, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, sofreu um tombo de 13,88%, fechando aos 176.608,23 pontos. A magnitude das oscilações exigiu intervenções e ativou mecanismos de segurança na praça financeira logo nas primeiras horas de negociação.

Abaixo estão os principais indicadores econômicos consolidados ao final do pregão:

  • Dólar comercial: R$ 5,403, com alta de 8,21%;
  • Cotação máxima do dólar: R$ 5,6049, registrada durante a manhã;
  • Ibovespa: 176.608,23 pontos, recuo de 13,88%;
  • Mínima do Ibovespa: 169.516,43 pontos, representando queda superior a 17%;
  • Desempenho do dólar em outubro: alta acumulada de 4,40%;
  • Desempenho do Ibovespa em outubro: queda acumulada de 5,22%;
  • Balanço do Ibovespa em 2026: valorização acumulada mantida em 9,61%.

Escalada histórica da moeda norte-americana

A alta de 8,21% na cotação do dólar representou o maior salto percentual diário da moeda americana desde 13 de janeiro de 1999, data historicamente lembrada pelas profundas alterações estruturais no regime cambial brasileiro.

No início do pregão, a pressão compradora elevou a divisa até o teto de R$ 5,605. No entanto, ao longo da tarde, o ritmo de valorização arrefeceu. O recuo parcial para a faixa dos R$ 5,40 foi impulsionado por operações de realização de lucros — quando investidores optam por vender a moeda estrangeira para embolsar os ganhos recentes — e pela entrada expressiva de recursos de empresas exportadoras, que aproveitaram a cotação elevada para internalizar divisas acumuladas no exterior.

O cenário eleitoral alterou drasticamente as expectativas formadas antes da abertura das urnas. Uma fatia relevante dos analistas e investidores operava sob a premissa de um cenário político distinto, especialmente após a liderança de Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Com a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, gestores de fundos e corporações precisaram recalibrar rapidamente suas alocações de risco.

Para mitigar a volatilidade excessiva, o Tesouro Nacional atuou ativamente no mercado por meio de operações de recompra de títulos públicos. Apesar do impacto violento da sessão, a moeda estadunidense ainda operava com baixa de 1,57% no somatório do ano de 2026.

Circuit breaker e forte retração na bolsa de valores

O tombo de 13,88% no Ibovespa levou o indicador ao seu menor patamar de encerramento desde o final de agosto. Essa retração configurou a maior queda diária registrada pelo mercado acionário brasileiro desde março de 2020, período em que o sistema financeiro global foi abalado pelo início da pandemia de Covid-19.

A gravidade da desvalorização logo nas primeiras horas da manhã fez com que a B3 acionasse o mecanismo de *circuit breaker*. Essa ferramenta regulatória paralisa temporariamente todas as negociações do mercado à vista quando o índice atinge uma queda superior a 10%, com o objetivo de conter pânicos generalizados e permitir que os investidores digerissem as novas informações.

No momento mais crítico da manhã, o índice chegou a despencar mais de 17%, batendo o piso de 169.516,43 pontos. O volume financeiro negociado no dia foi extraordinariamente alto, somando R$ 88,6 bilhões — um montante muito superior à média diária regular, que costuma girar em torno de R$ 25 bilhões.

Com o resultado profundamente negativo da sessão, o Ibovespa dissolveu integralmente os ganhos que havia acumulado ao longo do mês e passou a exibir um saldo negativo de 5,22% em outubro. Ainda assim, no horizonte mais amplo de 2026, o índice preserva uma alta acumulada de 9,61%, amparado pelo desempenho positivo dos meses anteriores.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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