O Instituto Nacional de Câncer (Inca) promoveu um evento online em alusão ao Dia Nacional de Combate ao Fumo, data celebrada em 29 de agosto. Para este ano, a campanha nacional adotou o lema “Atividade física e saúde: treinar não combina com fumar”, buscando conscientizar a população sobre a divergência entre hábitos saudáveis e o consumo de produtos derivados do tabaco e da nicotina.
O principal objetivo da iniciativa é colocar em evidência os impactos estritamente opostos que a prática regular de exercícios físicos e o uso de cigarros provocam no organismo humano. Enquanto os treinamentos fortalecem os sistemas cardiovascular, respiratório e muscular, promovendo o condicionamento e elevando a qualidade de vida, o tabagismo atua de forma contrária. Ele compromete severamente todas essas funções orgânicas, reduz o rendimento físico e eleva de maneira expressiva a probabilidade de desenvolvimento de doenças crônicas graves.
Especialistas apontam que a prática de atividades físicas também pode funcionar como uma estratégia poderosa e aliada no processo de cessação do tabagismo, ajudando a amenizar a vontade recorrente de fumar e controlando os sintomas característicos da abstinência.
O falso mito da proteção pelo exercício
Durante o evento, a psicóloga e especialista no tratamento do tabagismo do Inca Vera Borges chamou a atenção para um comportamento comum entre adeptos de rotinas fitness que mantêm o vício. O alerta é direcionado especialmente aos fumantes de cigarros tradicionais e de vapes que praticam exercícios físicos sob a falsa ilusão de que o treinamento mitiga ou anula os riscos de adoecimento associados à nicotina.
“Esse tema guarda a necessidade de alertar os fumantes de cigarros e de vapes que fazem atividade física e que acreditam que o exercício reduz o risco de adoecimento. Quaisquer das formas desse produto vai trazer prejuízo à saúde”, enfatizou a especialista.
Segundo Vera Borges, todos os ganhos metabólicos, cardiorespiratórios e musculares obtidos por meio de uma rotina disciplinada de exercícios físicos acabam sendo anulados ou severamente prejudicados pelos danos cumulativos provocados pelo tabagismo. O posicionamento do instituto reforça que a meta principal é prevenir o início do vício, consolidar comportamentos focados no bem-estar, garantir ambientes livres de nicotina e incentivar o abandono definitivo do cigarro.
“Treinar e fumar é incompatível, quando a gente pensa no cuidado à saúde”, resume a psicóloga.
Alerta sobre cigarros eletrônicos e jovens
A edição deste ano da campanha também direciona esforços para conscientizar o público sobre os perigos da dependência da nicotina entre adolescentes e jovens. O foco inclui a experimentação precoce de dispositivos eletrônicos para fumar, amplamente conhecidos como vapes, além de outras novidades do mercado de nicotina.
De acordo com o Inca, as novas gerações frequentemente são induzidas a acreditar que os aparelhos eletrônicos são alternativas inofensivas ou menos nocivas ao condicionamento físico. Recentemente, o órgão destacou preocupação com a promoção de sachês de nicotina em redes sociais por parte de influenciadores digitais e atletas, que muitas vezes os divulgam incorretamente como estimulantes naturais para o bem-estar e desempenho.
Os prejuízos causados aos praticantes de atividades físicas que mantêm o hábito de fumar manifestam-se por meio de diversos mecanismos fisiológicos prejudiciais ao organismo:
- Vasoconstrição: a nicotina provoca a contração dos vasos sanguíneos, resultando na diminuição significativa do fluxo de sangue direcionado aos músculos e aos órgãos vitais.
- Privação de oxigênio: o transporte de oxigênio pelo sangue fica comprometido, privando a musculatura desse elemento indispensável durante o esforço físico intenso.
- Prejuízo pulmonar: ocorre a inflamação crônica das vias aéreas, reduzindo a capacidade funcional dos pulmões e dificultando o processo respiratório.
- Sobrecarga energética: o corpo passa a exigir um esforço físico muito maior para realizar tarefas que demandariam pouca energia de uma pessoa não fumante.
O Inca reforça que fumantes apresentam menor resistência física, quadros de fadiga precoce, um período de recuperação muito mais lento após os treinamentos, além de um risco consideravelmente maior de sofrer lesões musculoesqueléticas ou complicações cardiovasculares durante a execução de atividades físicas intensas.










