
As regiões Oeste e Noroeste do Paraná estão enfrentando uma situação de seca fraca, de acordo com o Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas. O relatório foi divulgado nesta quinta-feira (16) e é realizado em parceria com diversas instituições, incluindo o Simepar, Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná. Atualmente, todas as regiões do estado apresentam algum nível de seca de acordo com os dados coletados para o mês de março.
Nas cidades que fazem divisa com São Paulo, abrangendo de Sengés a Jacarezinho, houve uma mudança no quadro de seca, que passou de grave para moderada. Além dessas localidades, o Vale do Ribeira e áreas ao norte do Litoral do estado, assim como a cidade de Pinhão e parte do Sudoeste paranaense, também estão sob a influência de seca moderada. Em outras regiões, o nível encontrado é de seca fraca.
No norte da Região Metropolitana de Curitiba, nos Campos Gerais e no Norte Pioneiro, a seca já se consolidou há mais de um ano. Isso resulta em impactos tanto a curto quanto a longo prazo. No Norte do Paraná, o cenário é preocupante, uma vez que isso pode afetar a agricultura e o abastecimento de água. Já nas demais áreas, os efeitos são mais imediatos, impactando apenas a agricultura de forma direta.
Chuva e Dificuldades
A irregularidade das chuvas nos últimos meses teve um papel crucial na intensificação da seca, que já era observada no Centro-Leste e Centro-Norte paranaense, avançando para a faixa oeste. Tradicionalmente, janeiro, fevereiro e março são meses de alta pluviosidade no estado; no entanto, nesta temporada, o verão foi marcado por chuvas de baixa distribuição. Para março, a situação se tornou ainda mais crítica.
Um levantamento realizado entre 47 estações meteorológicas do Simepar, todas com mais de seis anos em funcionamento, revelou que apenas oito conseguiram alcançar a média histórica de precipitação para o mês de março. Em determinadas localidades, como Cascavel, Curitiba, Irati, Loanda, Pato Branco e Santo Antônio da Platina, o total de chuvas foi inferior a 25 mm durante todo o mês.
“A precipitação abaixo da média histórica foi influenciada pela prevalência de massas de ar seco ao longo do mês. Além disso, a falta de umidade vinda da região amazônica também contribuiu para a ocorrência de dias consecutivos com pouca ou nenhuma chuva, especialmente em municípios nas regiões Oeste e Sudoeste”, explicou Reinaldo Kneib, meteorologista do Simepar.
O déficit registrado nas regiões Oeste, Noroeste e Sudoeste facilitou a evidência da seca fraca. “Esta condição se relaciona à escassez de precipitações e outros fatores, como o crescimento comprometido de algumas culturas, impactando diretamente a agricultura. Especificamente no Sudoeste, a situação agravou-se, levando a uma classificação de seca moderada, o que também afeta alguns riachos e rios da área, resultando em risco de desabastecimento de água”, detalhou Kneib.
Os dados da plataforma de inteligência agroclimática do Simepar, conhecida como Simeagro, mostram que os episódios isolados de chuvas observados não foram suficientes para preencher o déficit hídrico acumulado. Essa situação é refletida em anomalias negativas moderadas no índice de vegetação, evidenciando a redução no vigor das culturas, especialmente em plantações de soja em fase final e milho de segunda safra ainda em desenvolvimento inicial.
Na região Noroeste, conforme os dados do Simeagro, a falta de chuva foi mais constante ao longo de março, aumentando consideravelmente o risco de incêndios e gerando condições de estresse hídrico mais severo. Nesse cenário, as consequências para as lavouras tendem a ser mais significativas, resultando em prejuízos ao desenvolvimento vegetativo, riscos maiores na cultura do milho safrinha e diminuição da produtividade.
Expectativas para Abril
Para o mês de abril, a expectativa é que a situação de seca persista. Historicamente, este mês apresenta chuvas volumosas em poucos episódios, com longos períodos secos entre as precipitações. A previsão climática do Simepar indica que o Litoral deve registrar volumes de chuvas próximos à média histórica, enquanto o restante do estado deverá ter totais abaixo da média, especialmente na Região Metropolitana de Curitiba e nos Campos Gerais, que já enfrentaram baixos índices em março.
A Coordenação Estadual de Defesa Civil (Cedec) segue monitorando os desenvolvimentos da estiagem e prestando suporte às prefeituras conforme necessário. Atualmente, há 20 decretos de situação de emergência em vigor, homologados pelo estado, abrangendo municípios como Boa Vista da Aparecida, Nova Tebas, Planalto, entre outros.
Segundo o coronel Fernando Schunig, coordenador estadual da Defesa Civil, o Fundo Estadual para Calamidades Públicas (Fecap) pode ser utilizado para diretrizes de prevenção e recuperação. “Já foram destinados R$ 324 mil para as prefeituras de Nova Prata do Iguaçu, Roncador e Antonina que solicitaram assistência. Os recursos são usados na aquisição de caixas d’água e combustíveis para veículos pesados em operações de emergência”, explica.
Nos anos de 2025 e 2026, foram doados 57 reservatórios flexíveis de 6 mil litros para 35 municípios, que permanecem nos locais mais necessitados e estão sujeitos a reabastecimento. Além disso, neste ano, foram enviadas 1.440 cestas básicas para as cidades de Antonina, Quedas do Iguaçu e outras impactadas pela estiagem.
O diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley, enfatiza que a companhia mantém um monitoramento regular dos mananciais e do progresso da estiagem nas diferentes regiões do Paraná. “Por meio do sistema Infohidro, ferramenta desenvolvida em parceria com o Simepar e o IAT, conseguimos administrar riscos e estamos trabalhando continuamente para assegurar o abastecimento. É crucial lembrar que a água é um recurso limitado e sua disponibilidade exige um esforço conjunto. Por isso, a Sanepar reforça a importância do uso consciente e eficiente da água, evitando desperdícios”, recomenda Bley.
A iniciativa do Monitor de Secas começou em 2014, com foco nas regiões semiáridas que enfrentavam a seca mais severa em um século. Desde 2017, a ANA tem coordenado o projeto, unindo diversas instituições à elaboração dos mapas.
Mensalmente, o Simepar analisa as regiões Sul e Sudeste, utilizando dados como precipitação, temperatura do ar, índice de vegetação e níveis dos reservatórios, além de informações sobre evapotranspiração. A cada três meses, um mapa completo é elaborado.
No panorama nacional, o mapa do Monitor de Secas, divulgado nesta quinta-feira (16), indica que a seca grave também teve recuo nas áreas de Minas Gerais, São Paulo e Goiás, enquanto a seca extrema está restrita a cidades do Ceará e do Rio Grande do Norte. No Brasil, a única região ainda enfrentando seca grave é o Nordeste.
A seca moderada afeta, além do Paraná, grande parte de São Paulo, áreas ao sul e noroeste de Minas Gerais, além de locais no noroeste de Mato Grosso do Sul e porções ao sul e nordeste de Goiás. A maior parte da região Nordeste, exceto o Maranhão, também está sob esse nível de seca. A seca fraca é observada em quase todo o Sul, em São Paulo, Minas Gerais, Goiás e outros estados.
O Monitor de Secas salienta que, apesar da intensa chuva em Minas Gerais recentemente, a seca persiste devido à má distribuição das chuvas, que são frequentemente concentradas em poucos dias e regiões específicas, limitando a recuperação dos reservatórios hídricos. Assim, situações de cheia podem coexistir com a escassez hídrica, em função do déficit acumulado e das condições climáticas desfavoráveis no início da temporada chuvosa de 2025/2026.
Fonte:: parana.pr.gov.br











