
O Conselho Universitário da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) tomou uma decisão histórica nesta quinta-feira ao aprovar, por unanimidade, a revogação do título de Doutor Honoris Causa que havia sido concedido ao diplomata americano Lincoln Gordon no ano de 1968.
Lincoln Gordon exerceu a função de embaixador dos Estados Unidos no Brasil durante o período compreendido entre 1961 e 1966. Documentos históricos e investigações posteriores apontam que o diplomata teve participação ativa no planejamento do golpe de Estado de 1964. O movimento depôs o presidente legitimamente eleito João Goulart e deu início a uma ditadura militar no país que se estendeu por duas décadas, terminando apenas em 1985.
A participação americana na conspiração que culminou na queda de João Goulart foi posteriormente corroborada por documentos abertos ao público dos arquivos de Lyndon B. Johnson, presidente dos Estados Unidos na época do golpe ocorrido em 1º de abril de 1964. Os registros revelam que uma ordem sigilosa emitida pelos chefes do Estado-Maior Conjunto norte-americano ordenou a maior movimentação de unidades de combate já vista até então no oceano Atlântico Sul.
Essa mobilização militar ficou conhecida como a “Operação Brother Sam”. A iniciativa consistiu no deslocamento de uma força-tarefa naval completa rumo à costa brasileira, com o objetivo claro de prestar apoio logístico e militar aos quartéis que se rebelaram contra o governo de João Goulart. No entanto, como as forças golpistas obtiveram uma vitória rápida e sem grande resistência armada, a esquadra americana acabou não precisando intervir diretamente em águas territoriais brasileiras.
A decisão da instituição de ensino superior carioca insere-se em um movimento mais amplo de revisão histórica e reparação da memória institucional em relação ao período do regime militar. A medida ocorre em um momento em que diversas universidades públicas brasileiras têm reavaliado homenagens prestadas durante os anos de exceção ou promovido atos de desagravo a figuras históricas perseguidas pelo regime, reafirmando o compromisso da comunidade acadêmica com os valores democráticos e com os direitos humanos no país.
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br










