Ciência & Tecnologia

Nova ferramenta centraliza busca de bens em todo o país

Cidadãos, empresas, escritórios de advocacia e órgãos públicos de todo o Brasil já podem contar com uma nova tecnologia centralizada para realizar buscas patrimoniais de forma integrada. Lançada neste mês, a Pesquisa Nacional de Bens viabiliza a verificação de vínculos de CPFs e CNPJs a propriedades imobiliárias em mais de 3,6 mil cartórios de Registro de Imóveis distribuídos pelos 26 estados e pelo Distrito Federal. O serviço opera por meio da plataforma eletrônica oficial RI Digital, que reúne as serventias extrajudiciais do país em um único ambiente virtual.

De acordo No entanto, o sistema antigo possuía limitações geográficas, estando restrito a apenas dez unidades da federação. Mesmo com essa limitação regional, a ferramenta precedente registrou números expressivos, acumulando mais de 4,3 milhões de consultas desde o seu lançamento em 2021. Desse total, 1,14 milhão de buscas ocorreram somente ao longo de 2025, enquanto mais de 800 mil solicitações foram computadas apenas nos primeiros oito meses deste ano. Com a adesão e integração dos demais estados à rede digital, o serviço ganha caráter verdadeiramente nacional e unificado.

A agilidade é um dos principais diferenciais técnicos da nova plataforma. O primeiro resultado da pesquisa é gerado em menos de um minuto. Na hipótese de alguma unidade registral apresentar indisponibilidade momentânea no sistema, a própria ferramenta se encarrega de realizar novas tentativas de forma automática a cada 20 minutos, em um limite de até três tentativas, com o objetivo de complementar a consulta integral em um prazo de até uma hora. O funcionamento ocorre de maneira contínua, 24 horas por dia, sete dias por semana, mantendo a disponibilidade inclusive durante os finais de semana e feriados nacionais.

Amplo leque de usuários e utilidade pública

Disponibilizada na plataforma RI Digital, a Pesquisa Nacional de Bens atende a uma demanda diversificada da sociedade e do setor corporativo. O recurso pode ser acessado livremente por cidadãos comuns, sociedades de advogados, empresas pertencentes ao mercado imobiliário, companhias especializadas em recuperação de crédito e instituições financeiras ou corporativas que realizam análises detalhadas de patrimônio.

No âmbito do setor público, a ferramenta assume papel de destaque em investigações e procedimentos administrativos. Procuradorias, tribunais de justiça, o Ministério Público e diversos órgãos policiais figuram entre os potenciais usuários estratégicos da tecnologia, utilizando-a para o mapeamento, localização e investigação de bens no território nacional.

Para Flaviano Galhardo, diretor-geral do ONR, o potencial de impacto da ferramenta é considerado gigantesco, beneficiando de forma equilibrada o cidadão comum, o mercado corporativo e o próprio Poder Público.

“Trata-se de um instrumento de rastreamento patrimonial seguro, alinhado a rigorosos padrões de compliance, proteção de dados e governança nas pesquisas e nas entregas”, ressalta o dirigente.

O que a pesquisa identifica

Em termos práticos, a Pesquisa Nacional de Bens mapeia a existência de ocorrências associadas a um determinado número de CPF ou CNPJ nos registros imobiliários do país. Contudo, os especialistas do setor explicam que um resultado positivo na consulta inicial não significa necessariamente que a pessoa física ou jurídica investigada seja a atual proprietária do imóvel apontado.

O titular do documento pode constar ou ter constado na matrícula imobiliária em diferentes condições jurídicas, tais como proprietário anterior, atual dono, locatário, fiador ou titular de algum outro direito real ou obrigacional sobre o bem. Para esclarecer a natureza exata do vínculo entre o CPF ou CNPJ consultado e o imóvel localizado, o usuário tem a opção de solicitar uma certidão digital específica ou recorrer à chamada Pesquisa Qualificada, modalidade que também se encontra disponível na plataforma e que já soma cerca de 8,8 milhões de consultas realizadas desde 2021.

Segundo o ONR, a expansão e o aprimoramento da plataforma digital só foram viabilizados graças ao intenso processo de digitalização dos acervos cartorários e à estruturação padronizada de dados executada pelos Registros de Imóveis em âmbito nacional.

Sobre o ONR

O Operador Nacional do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis (ONR) constitui uma entidade dotada de natureza jurídica especial, tendo sido instituído formalmente por meio da Lei nº 13.465/2017. A instituição tem como atribuição legal principal a implementação e a operação, em escala nacional, do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis (SREI) no Brasil. Atualmente, o organismo integra a totalidade dos 3.621 Cartórios de Registro de Imóveis localizados nos estados e no Distrito Federal, liderando iniciativas contínuas de digitalização, modernização e integração dos serviços registrais imobiliários brasileiros.

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