
Com a proposta de fomentar o debate acerca da igualdade racial e aprimorar as rotinas de atuação no ambiente prisional, a Polícia Penal do Paraná promoveu o curso de Letramento Racial na Penitenciária Estadual de Francisco Beltrão. A iniciativa é fruto de uma colaboração estratégica entre o Setor de Pedagogia da unidade prisional e o Centro Estadual de Educação Básica de Jovens e Adultos Novos Horizontes.
O cronograma da capacitação foi estruturado em três momentos distintos. O primeiro encontro ocorreu em 30 de setembro, seguido pela segunda etapa realizada recentemente, enquanto o encerramento oficial está agendado para o dia 18 de novembro, com atividades previstas no Complexo Social. Ao longo das fases iniciais, a formação reuniu 26 participantes, contemplando policiais penais e servidores dos setores técnicos e administrativos, que receberão certificados após a conclusão de toda a jornada pedagógica.
As instruções são conduzidas pelo professor doutor José Lúcio da Silva Machado, docente vinculado à Universidade Tecnológica Federal do Paraná, no câmpus de Francisco Beltrão, e que também atua como coordenador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas.
A execução do projeto conta com o suporte técnico da pedagoga Claudia Cristina Borba de Barros, profissional lotada na Regional Administrativa da Polícia Penal no município. De acordo com ela, o treinamento está em total consonância com o Plano Pena Justa, diretriz de âmbito nacional voltada ao combate de violações de direitos humanos no âmbito do sistema prisional, tendo como foco principal o aprofundamento das discussões sobre o racismo estrutural.
Segundo a pedagoga, a busca pelo apoio do núcleo acadêmico da instituição federal teve como propósito levar o debate não apenas aos detentos, mas principalmente aos profissionais da segurança e equipes multidisciplinares. A reflexão busca analisar como a herança histórica do país moldou uma seletividade racial e social refletida na população carcerária, permitindo que os servidores compreendam de que maneira a desigualdade impacta as instituições e o Poder Judiciário.
Claudia também pontuou a relevância de reavaliar conceitos para a promoção da equidade na rotina das instalações penais. Para a profissional, embora grande parte da sociedade reconheça a existência do racismo no Brasil, a autocrítica ainda é escassa, e muitas atitudes discriminatórias acabam ocorrendo de maneira velada devido à própria estrutura histórica da legislação e dos costumes. A capacitação surge, portanto, como uma ferramenta de conscientização e mudança de postura profissional.
Além de cumprir metas estabelecidas por normativas nacionais, o curso propicia momentos de integração entre diferentes setores da unidade, permitindo o intercâmbio de experiências e o distanciamento momentâneo das exigências da rotina operacional. O debate em unidades de privação de liberdade apoia-se em pilares fundamentais, como a análise demográfica dos custodiados, a busca por uma eficiência operacional humanizada e a adesão estrita às políticas públicas de direitos humanos.
A diretora do centro de ensino estadual parceiro, Karen Oro Niehues, destacou a relevância do aprendizado contínuo para a consolidação de um ambiente laboral mais consciente e plural. Para ela, o letramento racial atua diretamente na ampliação da perspectiva dos trabalhadores sobre as dinâmicas étnico-raciais, fortalecendo valores institucionais baseados no respeito mútuo e na valorização das diferenças individuais.
A gestora educacional enfatizou ainda a importância da união entre órgãos de segurança pública e instituições de ensino. A parceria firmada com a universidade tecnológica representa um reforço na qualificação dos servidores, reafirmando o compromisso conjunto com uma atuação fundamentada na transformação social e na dignidade humana.
Com o encerramento das atividades formativas previsto para o próximo mês, a administração do estabelecimento penal e as entidades envolvidas consolidam o compromisso de manter práticas cotidianas pautadas na rejeição ao preconceito, no estímulo à diversidade e na contínua humanização dos serviços prestados no sistema prisional paranaense.
Fonte:: policiapenal.pr.gov.br










