Educação

Exame nacional para pessoas privadas de liberdade alcança quase doze mil inscritos no Paraná

O Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos para Pessoas Privadas de Liberdade ou sob Medida Socioeducativa (Encceja PPL) contabilizou um total de 11.873 inscrições no estado do Paraná na edição mais recente. Organizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a iniciativa tem como principal finalidade conceder a certificação de conclusão dos ensinos Fundamental e Médio para indivíduos que cumprem pena ou medidas socioeducativas.

As avaliações foram aplicadas ao longo de dois dias do mês em diferentes estabelecimentos prisionais administrados pelas nove regionais da Polícia Penal do Paraná (PPPR). Vale destacar que as unidades do sistema prisional paranaense já contam com uma rotina estruturada de atividades escolares regulares, viabilizada por meio de parcerias com os Centros Estaduais de Educação Básica de Jovens e Adultos (Ceebja), além da oferta contínua de cursos de capacitação técnica e profissional.

Importância da remição de pena e da reinserção social

A participação no Encceja PPL oferece uma dupla vantagem aos detentos: além de possibilitar a conclusão de ciclos educacionais fundamentais, o engajamento nos estudos assegura o direito à remição de pena, conforme estabelecido pela legislação vigente. Esse mecanismo acelera o processo de ressocialização por meio do esforço intelectual e acadêmico.

A diretora-geral da PPPR, Ananda Chalegre, pontuou que coordenar a aplicação de um exame dessa magnitude em âmbito estadual demanda um planejamento logístico e operacional robusto. Segundo ela, a adesão expressiva demonstra a seriedade com que a instituição trata a estrutura voltada à reabilitação. O acesso ao aprendizado representa uma ferramenta concreta para que os custodiados possam planejar um novo futuro baseado na legalidade e na autonomia.

No mesmo sentido, a chefe da Divisão de Educação e Capacitação da PPPR, Lisiane Haag Antonelli, classificou o exame como um instrumento de transformação profunda. Para ela, a prova cria uma ponte indispensável entre o período de reclusão e o retorno à convivência em sociedade, devolvendo a autoestima e a perspectiva de dias melhores aos participantes. A aplicação ocorreu de maneira organizada e pacífica em todo o território paranaense.

Panorama regional e distribuição dos participantes

Entre as regionais administrativas da Polícia Penal do Paraná, a região de Londrina destacou-se com o maior volume de inscrições, alcançando a marca de 2.805 candidatos. Na sequência, aparecem as regionais de Curitiba, com 2.549 inscritos, Umuarama (1.320), Maringá (1.246), Ponta Grossa (959), Cascavel (906), Guarapuava (794), Foz do Iguaçu (666) e Francisco Beltrão (607).

O coordenador regional da PPPR em Londrina, Élcio Martins Basdão, ressaltou que a mobilização na região envolveu dezenas de unidades prisionais e exigiu esforço conjunto entre professores, equipes pedagógicas e policiais penais. O trabalho integrado garantiu a segurança e o bom andamento das avaliações, gerando impactos positivos tanto para os detentos quanto para a segurança pública geral.

Do total geral de 11.873 inscritos no estado, a maior parte — 8.468 participantes — cumpre pena em estabelecimentos penais tradicionais. Outros 3.315 estão recolhidos em Cadeias Públicas, enquanto 90 inscritos pertencem a unidades geridas pelas Associações de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC).

Estrutura e formato das provas aplicadas

O conteúdo cobrado no exame é dividido de acordo com o nível de escolaridade pretendido pelo candidato. Para o Ensino Fundamental, a avaliação consiste em quatro exames objetivos, cada um contendo 30 questões de múltipla escolha sobre Ciências Naturais, Matemática, História, Geografia, Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Artes e Educação Física, além da elaboração de uma Redação.

Já para o Ensino Médio, a estrutura também compreende quatro provas objetivas de 30 questões cada, abrangendo as áreas de Ciências da Natureza, Matemática, Ciências Humanas e Linguagens e Códigos, acompanhadas igualmente por uma proposta de Redação.

A consolidação de exames como o Encceja PPL, somada a iniciativas que vão desde a alfabetização básica até o ensino superior, reforça o compromisso institucional do Paraná em utilizar a educação como o principal vetor de transformação humana e diminuição da reiteração delitiva.

Fonte:: policiapenal.pr.gov.br

Aécio Novitski

Idealizador do Site Araucária no Ar, Jornalista (MTB 0009108-PR), Repórter Cinematográfico e Fotógrafico licenciado pelo Sindijor e Fenaj sobre o número 009108 TRT-PR

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