
Em comemoração ao Dia Mundial do Doador de Sangue, celebrado no próximo domingo, 14 de junho, o Governo do Estado do Paraná, por meio da Secretaria da Saúde (Sesa), realiza um apelo especial à população para que mantenha os estoques de bolsas de sangue abastecidos em todo o estado. Esta mobilização faz parte das ações do Junho Vermelho e destaca a importância dos voluntários dos tipos sanguíneos O positivo (O+) e O negativo (O-), que apresentaram uma queda recente nos bancos de sangue e necessitam de reposição imediata para atender à demanda da rede hospitalar.
A regularidade nas doações é fundamental para garantir a sustentabilidade do sistema de hemoterapia. O advogado César Yukio Yokoyama, de 57 anos, tem feito da doação de sangue uma prática regular há mais de dez anos e estima já ter realizado cerca de 45 doações no Hemepar, com foco na doação de plaquetas, que têm validade de apenas cinco dias após a coleta.
“Minha principal motivação é saber que o que corre nas minhas veias pode ser o combustível para a sobrevivência de outra pessoa. Descobri que meu tipo sanguíneo, AB+, atende principalmente a recém-nascidos e pacientes imunossuprimidos, devido à mínima rejeição que apresenta. Saber que meu sangue vai para os mais frágeis, como bebês que mal começaram a vida, trouxe um novo sentido ao ato de doar. Não é apenas uma ação mecânica. É compreender exatamente quem estou ajudando”, relata o advogado.
Por outro lado, o sangue doado representa uma oportunidade de futuro para pacientes como Leisse Vieira, uma administradora de empresas de 43 anos, portadora de Talassemia Major. Esta é uma doença genética rara que exige transfusões de sangue periódicas a cada três ou quatro semanas.
“O doador me sustenta e me proporciona a oportunidade de viver melhor, transformando uma vida que poderia ser curta e difícil em uma história plena. No meu caso, o sangue precisa ser fenotipado, ou seja, de um doador específico, mas toda doação é bem-vinda para salvar vidas. Existem pessoas incríveis dispostas a ajudar a melhorar o mundo de alguma forma. Doe sangue. Não vai te fazer falta e gera felicidade para quem doa e para quem recebe”, testemunhou Leisse.
Ela frequenta o Hemepar há 39 anos e destaca o impacto positivo da instituição em sua vida: “Sempre me senti acolhida. Todos são especiais e têm um papel valioso no processo.”
O engajamento da população paranaense tem se refletido em um crescimento contínuo nas doações ao longo dos anos. Em 2023, o estado registrou 187.128 bolsas coletadas, número que aumentou para 203.925 em 2024 e atingiu 214.377 em 2025, representando um crescimento de aproximadamente 15% ao longo desse período.
O ritmo solidário se mantém elevado em 2026, com mais de 86 mil bolsas de sangue já contabilizadas, um aumento de 3% em comparação ao mesmo período do ano passado. Contudo, mesmo com esses números positivos, a solicitação por tipos O+ e O- continua a ser um ponto crítico devido à alta demanda dessas tipagens na rede de urgência.
O secretário de Estado da Saúde, César Neves, enfatiza a importância do compromisso contínuo da população com as doações. “O crescimento constante nas doações de ano para ano demonstra o espírito solidário do povo paranaense. No entanto, nossa hemorrede é dinâmica e a demanda dos hospitais nunca para. O Dia Mundial do Doador é um momento para agradecer a quem já tem esse hábito e, simultaneamente, fazer um apelo crítico aos voluntários dos tipos O+ e O-. Manter esses estoques abastecidos é uma responsabilidade coletiva, essencial para garantir que nenhuma cirurgia ou atendimento de urgência seja interrompido no estado”, afirmou.
Ações no Estado
Para marcar a data e incentivar novos voluntários, os hemocentros e Unidades de Coleta e Transfusão (UCT) de todo o Paraná programaram atividades especiais ao longo de junho. As ações incluem agendamentos intensificados para grupos com transporte gratuito, coletas externas, blitz educativas em semáforos, panfletagem e palestras de conscientização em escolas, universidades e empresas parceiras.
A infraestrutura da Hemorrede do Paraná é essencial, atendendo 384 hospitais no estado e dando suporte a 96,6% dos leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) no Paraná. Para manter esta operação, cerca de 700 hemocomponentes são enviados diariamente para as unidades parceiras, que dependem dessas bolsas para realizar cirurgias eletivas, atendimentos de urgência e emergências.
Pelo seu formato integrado, a Hemorrede beneficia todas as regiões do Paraná, uma vez que o sangue coletado é compartilhado de acordo com as necessidades assistenciais em todo o estado. Dessa maneira, uma doação realizada em Curitiba pode salvar a vida de pacientes em localidades distantes.
Vivian Raksa, diretora do Hemepar, destacou que a integração da rede paranaense é um diferencial crucial para manter o abastecimento de sangue. “A Hemorrede do Paraná opera de maneira totalmente integrada. Uma única bolsa coletada no interior pode salvar uma vida na capital, e vice-versa. Para atender quase 97% dos leitos do SUS, distribuímos cerca de 700 hemocomponentes diariamente. Portanto, as ações especiais promovidas durante o Junho Vermelho são essenciais para aproximar o Hemepar da comunidade e sensibilizar novos doadores”, concluiu.
Quem pode doar
Para contribuir com a rede, podem doar sangue pessoas entre 16 e 69 anos. No caso de menores de idade, é necessária autorização e acompanhamento de um responsável legal. Homens podem realizar até quatro doações anuais, com um intervalo mínimo de dois meses, enquanto mulheres têm permissão para doar até três vezes ao ano, respeitando um intervalo de três meses entre as coletas.
O voluntário deve pesar mais de 50 quilos, estar alimentado, hidratado e descansado no momento da doação, além de evitar alimentos gordurosos nas horas anteriores. A apresentação de um documento oficial com foto é obrigatória.
Agendamento
Para evitar filas e garantir o equilíbrio nos estoques de diferentes grupos sanguíneos, o Hemepar recomenda que os voluntários agendem seu horário de doação previamente.
Fonte:: parana.pr.gov.br










