
O Governo Federal anunciou recentemente um marco histórico para o sistema previdenciário brasileiro. Durante um evento oficial realizado no Palácio do Planalto, com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, informou que o volume acumulado de pedidos de perícia no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi zerado no decorrer do mês de agosto.
Com essa mudança de cenário, a pasta previdenciária aponta que o formato tradicional de espera prolongada foi substituído por uma dinâmica de fluxo contínuo de atendimento. O INSS, que historicamente lida com volumes massivos de solicitações mensais, conseguiu inverter a proporção entre a demanda de novos requerimentos e a capacidade operacional de análise das equipes médicas e administrativas.
De acordo com os dados apresentados pelo ministério, a trajetória de declínio nos pedidos pendentes começou a ser desenhada de forma consistente a partir do mês de fevereiro. Naquele período inicial, o sistema contabilizava cerca de 3,12 milhões de cidadãos aguardando na expectativa por uma avaliação, enquanto novos registros somavam 1,17 milhão de entradas apenas no mesmo mês.
A partir daí, o esforço conjunto de gestão promoveu quedas sucessivas na retenção de processos, fazendo o montante recuar para 1,547 milhão de pendências até o fechamento de julho. O ponto de virada ocorreu em agosto, momento em que a capacidade operacional e o ritmo de despachos superaram o volume de novas solicitações protocoladas pelos segurados.
“Quando isso acontece, não temos uma fila. Temos um fluxo de atendimento. Deixou de existir uma fila para existir atendimento. Estamos numa situação parecida com uma loja que tem 12 vendedores e entram 8 clientes. Estamos com folga no atendimento por maior que seja a demanda”, detalhou o ministro Wolney Queiroz ao ilustrar a nova realidade do órgão.
Estratégias de otimização e novas tecnologias
Para alcançar este patamar de eficiência, o Ministério da Previdência Social implementou uma série de medidas administrativas e tecnológicas coordenadas. Entre os principais fatores que impulsionaram a produtividade estão a efetivação de novos servidores públicos aprovados em concursos recentes e a descentralização de recursos tecnológicos para o atendimento à população.
Atualmente, cerca de 865 agências do INSS em todo o território nacional contam com recursos de telemedicina para agilizar os processos. Outro ponto fundamental foi a consolidação da perícia médica documental, modalidade que dispensa o deslocamento físico do segurado até uma unidade física da autarquia, bastando o envio digital da documentação comprobatória exigida pela legislação para a análise dos profissionais de saúde.
A instituição também apostou na realização sistemática de mutirões aos finais de semana e na concessão de bônus de produtividade voltados aos servidores públicos que conseguiram superar as metas estabelecidas de conclusão de tarefas diárias.
Segundo o balanço oficial da pasta, o planejamento estratégico e o gerenciamento rigoroso dos benefícios foram responsáveis por injetar 2 milhões de atendimentos adicionais no sistema apenas ao longo do ano de 2026. Atualmente, o fluxo diário é intenso, recebendo em média 43 mil novos requerimentos a cada 24 horas, o que totaliza aproximadamente 1,3 milhão de novos pedidos todos os meses.
Humanização e prazos legais
Durante a cerimônia no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou a importância de garantir dignidade aos cidadãos que contribuem para a Seguridade Social ao longo de suas vidas laborais.
“O que a gente quer é humanizar a fila. É a pessoa ter o tempo correto de dar entrada, esperar e receber o seu benefício”, declarou o chefe do Executivo federal.
Além da eliminação do estoque acumulado de espera, os indicadores apontam para uma melhoria significativa no tempo médio de resposta institucional. Enquanto a legislação brasileira estipula o prazo limite de 45 dias para a emissão de uma decisão conclusiva sobre os pedidos de perícia, o tempo médio nacional praticado pelo instituto encontra-se em 34 dias, ficando abaixo do teto legal exigido.
Apesar dos avanços generalizados, o ministro Wolney Queiroz e o secretário-executivo da pasta, Felipe Cavalcante, ressaltaram que ainda persiste um grupo específico de aproximadamente 224 mil processos que ultrapassam o prazo regulamentar de 45 dias para a conclusão.
De acordo com os gestores governamentais, trata-se de situações excepcionais que demandam análises aprofundadas ou documentações complexas, englobando requerimentos especiais como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e processos de aposentadoria que exigem averiguações mais minuciosas antes da liberação definitiva.
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br










