
A oposta Tifanny, que defende a equipe do Osasco São Cristóvão Saúde, manifestou-se publicamente pela primeira vez sobre a nova política de elegibilidade anunciada pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). A medida restringe a participação nas competições femininas exclusivamente a atletas designadas com o sexo biológico feminino ao nascer.
Aos 41 anos, a jogadora — que marcou história ao se tornar a primeira atleta transgênero a atuar na Superliga — classificou a decisão como um “enorme retrocesso” e garantiu que não pretende desistir de sua carreira nas quadras.
O posicionamento da atleta foi divulgado por meio de sua assessoria de imprensa após a partida de estreia do Osasco no Campeonato Paulista da modalidade. O confronto ocorreu no último sábado, no Ginásio José Liberatti, onde a equipe mandante enfrentou o Pinheiros.
Apesar da atuação inspirada de Tifanny, que anotou 19 pontos e recebeu forte apoio da torcida osasquense, a equipe visitante saiu vitoriosa por 3 sets a 2, com parciais de 25/21, 25/16, 21/25, 23/25 e 15/11, em uma partida disputada que durou pouco mais de duas horas.
A presença da oposta em quadra, mesmo após o anúncio da nova diretriz da CBV, foi possível porque a Federação Paulista de Volleyball (FPV) comunicou que o Campeonato Paulista manteria o regulamento que já estava em vigor desde o início da competição. A entidade estadual informou que eventuais modificações e novas diretrizes serão avaliadas para os próximos campeonatos após análises detalhadas de suas áreas jurídica e de saúde.
Críticas duras ao novo regulamento
Em seu pronunciamento oficial, Tifanny expressou profunda indignação com os impactos da norma não apenas em sua trajetória profissional, mas no ecossistema do esporte e nos direitos da comunidade trans.
“A CBV está tirando tudo o que eu tenho, que é o amor pelo voleibol e a profissão que eu venho exercendo todos esses anos. Mas isso não afeta só a mim. Afeta o meu clube, a torcida, patrocinadores, as pessoas que se inspiram em mim e o direito de todas as pessoas trans. É um enorme retrocesso na luta pelo reconhecimento e pela inclusão. Voltamos para a forma vexatória como se testavam as atletas nos anos 60 e 70”, declarou a jogadora.
A atleta também assegurou que buscará reverter a situação por meio de instâncias legais e esportivas. “Não vou me calar e vou tomar todas as medidas possíveis para que a minha luta pelo direito à visibilidade, à inclusão e à prática do esporte não tenha sido em vão”, completou.
Tifanny atua no voleibol feminino brasileiro desde 2017 e alcançou um marco histórico em sua carreira ao conquistar o título da Superliga em 2025, tornando-se a primeira mulher trans a levantar o troféu da principal competição da modalidade no país.
Mudança de critérios pela CBV
A nova política de elegibilidade foi divulgada pela Confederação Brasileira de Voleibol na última sexta-feira. De acordo com a instituição, o objetivo da mudança é alinhar as competições nacionais às diretrizes estabelecidas pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) e pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB).
Pelas novas regras, as atletas passam a ter que cumprir critérios específicos, incluindo a obrigatoriedade de apresentar um resultado negativo para o gene SRY. Anteriormente, as diretrizes permitiam a participação de mulheres trans desde que os índices de testosterona sérica estivessem mantidos abaixo de um limite estipulado.
As novas determinações entram em vigor de forma imediata, afetando as edições deste ano da Superliga em suas duas principais divisões, da Supercopa, além da Copa Brasil e do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia programado para 2027.
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br










