
A federação partidária integrada por PT, PCdoB e PV oficializou nesta terça-feira (27) o apoio à recondução do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara dos Deputados para a próxima legislatura. A decisão estratégica marca uma articulação ampla no Legislativo federal envolvendo legendas de centro e de esquerda.
Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Além de respaldar a permanência de Hugo Motta no comando da Casa, as três legendas que compõem a Federação Brasil da Esperança confirmaram a integração a um grande bloco parlamentar articulado em conjunto com partidos do centro político. A aliança engloba siglas como União Brasil, Progressistas, PSD, Republicanos, MDB, a federação formada por PSDB e Cidadania, e o Podemos.
Conforme estabelece o Regimento Interno da Câmara dos Deputados, a proporção numérica de cada bloco partidário é determinante para definir as prioridades na condução das comissões permanentes e na distribuição de cargos estratégicos que compõem a Mesa Diretora. Com a formalização da aliança, a federação integrada por PT, PCdoB e PV contará com 88 parlamentares no próximo ano, enquanto o megabloco formado tem potencial para alcançar a marca de 328 deputados federais.
Estratégia de governabilidade e diálogo institucional
O deputado Pedro Uczai (SC), líder do Partido dos Trabalhadores na Casa, explicou que a adesão ao bloco decorre da necessidade de assegurar a governabilidade para a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o parlamentar, a articulação busca viabilizar a tramitação de projetos prioritários para as bases partidárias envolvidas.
“Estamos compondo com o bloco do centro, no espaço prático dentro da Casa, para permitir que a pauta avance. Essa composição estratégica para os próximos quatro anos é para dar governabilidade e avançar pautas das nossas três bancadas, como as das mulheres, da soberania e dos direitos culturais, sociais e históricos”, pontuou o líder petista.
Na mesma linha, a líder do Partido Comunista do Brasil, deputada Jandira Feghali (RJ), destacou que a movimentação política pretende construir um cordão de isolamento contra correntes políticas de extrema-direita no Congresso Nacional.
“Nossa responsabilidade é impedir que o Partido Liberal vença na Câmara e no Senado. Esta decisão da esquerda, em conjunto com o centro democrático, é a mais importante para que possamos avançar na pauta, garantindo governabilidade, estabilidade institucional e diálogo com os movimentos sociais. Não podemos ter uma Câmara fechada ao debate”, argumentou a deputada fluminense.
Compromissos programáticos e pautas sociais
Por sua vez, o deputado Aliel Machado (PR), líder do Partido Verde, enfatizou que o atual presidente da Câmara demonstrou abertura para negociar temas de forte impacto social e econômico durante sua gestão. Entre os pontos destacados pelo parlamentar estão debates sensíveis como a discussão em torno do fim da escala de trabalho de seis dias de labor por um de descanso (6×1) e a implementação de políticas públicas voltadas aos Microempreendedores Individuais (MEIs).
“Para ter governabilidade e cumprir os compromissos que o presidente Lula assumiu, é preciso que as Casas legislativas atuem com responsabilidade. O presidente Hugo colocou pautas extremamente importantes, como a escala 6×1 e os MEIs, mesmo em momentos difíceis, e isso foi uma sinalização importante”, declarou o representante do PV.
A consolidação desse bloco político altera o panorama de forças no Parlamento, criando um eixo majoritário capaz de influenciar decisivamente a agenda legislativa, a distribuição de relatorias e a votação de matérias de interesse do Poder Executivo e da sociedade nos próximos anos.
Fonte:: camara.leg.br










