Política

Novo projeto criminaliza descontos salariais fraudulentos

Deputado Fred Linhares em comissão da Câmara dos Deputados

Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados busca estabelecer uma punição rigorosa para fraudes relacionadas a descontos indevidos em folhas de pagamento, benefícios de caráter previdenciário ou assistencial, além de pensões e proventos. A medida pretende classificar essa conduta criminosa especificamente no ordenamento jurídico brasileiro.

Conforme o texto da proposta, a pena prevista para o indivíduo que obtiver vantagem ilícita por meio de inclusões, autorizações ou cobranças sem consentimento no salário ou benefício da vítima será de reclusão, com tempo estimado entre quatro e oito anos, acompanhada da aplicação de multa.

Agravantes e organização

A legislação proposta também prevê mecanismos para endurecer a resposta estatal quando o delito contar com suporte estruturado. A punição poderá sofrer acréscimo de um terço até o dobro caso a infração penal seja executada com o suporte de pessoas jurídicas, entidades sindicais, associações diversas ou plataformas digitais, cujo intuito seja conferir uma fachada de legalidade às cobranças irregulares.

O texto em análise promove alterações em normativas importantes do país, modificando o Código Penal, a Lei de Combate ao Crime Organizado e a Lei de Lavagem de Dinheiro, fortalecendo o combate a esse tipo específico de delito financeiro.

Impacto na renda

Na exposição de motivos apresentada junto ao projeto, o autor da iniciativa, deputado Fred Linhares (Republicanos-DF), destacou que os descontos não autorizados costumam ocorrer de maneira recorrente a cada mês. Por serem automatizados e apresentarem, na maioria das vezes, valores unitários reduzidos, tais cobranças acabam dificultando a identificação imediata por parte do trabalhador ou beneficiário afetado.

“Aquele que ataca o salário, a aposentadoria, a pensão ou o benefício de uma pessoa não pratica apenas uma fraude patrimonial comum. Lesa a dignidade da vítima, a capacidade de pagar as despesas básicas”, argumentou o parlamentar na justificativa da matéria.

Tramitação legislativa

Antes de seguir para apreciação definitiva, a proposta passará pelo crivo de comissões temáticas na Casa, incluindo a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, bem como a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Posteriormente, o texto será submetido à votação no Plenário.

Para que o projeto seja efetivamente sancionado e se torne lei no país, a proposta precisará obrigatoriamente obter a aprovação tanto da Câmara dos Deputados quanto do Senado Federal.

Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

Fonte:: camara.leg.br

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